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19/10/2015 - 02h31

Fitch: recessão brasileira será mais longa do que o esperado

Fonte: Jornal do Brasil
 
Para a analista sênior da agência, próximos meses serão importantes para a nota do país

 
Em teleconferência com a imprensa na última sexta-feira (16), a analista sênior da Fitch, Shelly Shetty, afirmou que a recessão do Brasil deverá ser mais longa e profunda do que se esperava. Por isso, a agência entende que é razoável adotar uma postura de cautela em relação ao país. De acordo com a economista, os próximos meses serão essenciais para que o ambiente de tensão política seja avaliado, pesando em novas reclassificações do rating brasileiro.  
 
Na manhã da última quinta-feira (15), a Fitch reduziu a nota de crédito brasileira de "BBB" para "BBB-", último degrau antes do terreno especulativa, com perspectiva negativa. O país passa a ter, a partir de agora, o mesmo rating de Rússia, Turquia e Indonésia. Na avaliação da Standard & Poor's o Brasil já perdeu o selo de bom pagador; para a Moody's, também se encontra a apenas uma classificação de isso acontecer. 
 
A tensão política, segundo afirmou Shelly Shetty, teve grande peso na decisão dos analistas da Fitch, última agência a se pronunciar sobre a situação do país. "Agora esperamos que a recessão continue no ano que vem, com queda de 1% do PIB", afirmou. Ainda nas projeções da agência, as contas se reequilibrarão ao longo de 2016 e só haverá superávit primário do Produto Interno Bruto (PIB) em 2017, na casa de 0,5%.
 
Para a analista, a economia do Brasil passa por um momento difícil, com maior endividamento público. Até o ano que vem, a Fitch estima que o endividamento bruto do governo chegará a 70% do PIB, seguindo a trajetória de alta durante 2017. De acordo com ela, o cenário se agravou desde abril, quando a agência colocou o viés negativo na antiga classificação brasileira. 
 
Sobre um possível impeachment da presidente Dilma Rousseff, Shetty disse que os riscos aumentaram, mas que a Fitch ainda acredita na permanência da petista no cargo até o fim de seu mandato. Já a respeito do ajuste fiscal, a economista vê a aprovação da nova CPMF como improvável, mas irá acompanhar de perto as alternativas propostas pelo governo. 
 
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