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21/11/2014 - 08h53
Fundo do BTG Pactual quer investir em terminal portuário
Fonte: Valor Econômico


O BTG Pactual procura oportunidades para entrar no negócio portuário, por meio do seu fundo focado em investimentos de infraestrutura. Ainda está em estudo se o investimento será feito na construção, a partir do zero, de um terminal privado ("greenfield"), em um futuro arrendamento de área pública (via disputa por licitação), ou por meio da aquisição total ou parcial de algum ativo existente.
A ideia do BTG não é apenas ser um investidor financeiro, mas ter uma atuação ativa na gestão do negócio - possibilidade aberta pela nova Lei dos Portos, de 2013. O novo marco regulatório do setor não impõe critérios de conhecimento prévio da operação portuária ou faz restrição a interessados em construir um terminal portuário privado ou participar de um certame licitatório.
O segmento de grãos é um dos que vêm sendo mais profundamente estudados pelo fundo de investimentos. Notadamente uma saída portuária na região Norte para escoar a produção da fronteira agrícola que avança no sentido Centro-Norte. Hoje, dada a falta de alternativas logístico-portuárias, especialmente o milho e a soja fazem uma cruzada ilógica da fazenda até o cais para ser escoados pelo porto de Santos (SP), já saturado.
"Em 2012, Santos tinha 19 milhões de toneladas [de capacidade instalada] para uma demanda de 23 milhões de toneladas", disse Túlio Machado, diretor associado do BTG Pactual, ao falar a uma seleta plateia sobre as oportunidades de investimento no setor portuário, em São Paulo. Naquele ano, o Estado do Mato Grosso exportou 60% da soja e 70% do milho embarcando pelo cais santista.
Saindo pelo Norte, as commodities estariam mais próximas do Canal do Panamá, ora em ampliação, o que eliminaria até quatro dias da viagem de navio para a Ásia - a China é o principal comprador da soja brasileira.
Também estão no radar do BTG oportunidades de terminais multiuso ou dedicados ao nicho de movimentação de contêineres. Não necessariamente será apenas um terminal, disse Machado. Há conversas com tradings e armadores, que garantiriam a demanda da carga para viabilizar o negócio, no caso de um terminal greenfield.
O BTG Pactual Infraestrutura II é o maior fundo de infraestrutura da América Latina, com US$ 1,83 bilhão captado. Reúne entre os cotistas investidores brasileiros e estrangeiros, além de capital dos sócios do banco.
O fundo tem participação em quatro ativos. São eles a Contrail, empresa que explora oportunidades de transporte de contêineres, em especial na região do porto de Santos (SP); a LAP, empresa que investe em projetos de geração de energia na América Latina; a Sete Brasil, criada para administrar sondas de perfuração próprias e contratadas que serão usadas pela Petrobras; e a GlobeNet, empresa de telecomunicações brasileira. O fundo, cuja captação foi lançada em 2011, tem prazo de duração de 12 anos.