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06/03/2014 - 11h11
Governo cobra menos de empresas por acidentes de trabalho

Número de ações regressivas apresentadas à Justiça, ano a ano
Para advogado, regras mais duras restringem a cobrança
Um dos motivos para a redução foi a edição, em 2013, de regras que obrigam o INSS a provar que houve culpa da empresa no acidente, sugere Alessandro Cardoso, estudioso de ações regressivas e sócio do Rolim, Viotti & Leite Campos Advogados.
“A portaria [editada pelo INSS e pela Procuradoria-Geral Federal em janeiro de 2013] colocou requisitos rigorosos", afirma Cardoso. “Antes, estavam obrigando as empresas a fazer prova negativa [comprovarem que não tiveram culpa].”
O advogado, favorável às novas regras, acredita que a mudança irá fazer com que os juízes se tornem mais exigentes em relação aos pedidos de ressarcimento feitos pelo INSS – hoje, o instituto vence a maioria dos casos, afirma.
“A ação regressiva tem uma repercussão econômica alta [para o empresário], pois o obriga a pagar um benefício durante décadas.”
Falta de auditores fiscais prejudica trabalho, diz sindicalista
A falta de auditores-fiscais do trabalho (AFT), responsáveis por levantar as provas sobre falhas de segurança no caso de um acidente, tem prejudicado a cobrança, avalia o sindicalista e diretor do Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (Diesat), Gilberto Almazan.
“O que a AGU aqui em Osasco [Grande São Paulo] diz é que as investigações são de péssima qualidade”, afirma Almazan. “Os fiscais demoram em média quatro meses para ir ao local de trabalho após um acidente. Quatro meses depois, o ambiente já não é o mesmo e a investigação fica prejudicada.”
Segundo um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em 2012 o Brasil tinha uma carência de cinco mil auditores para ter uma fiscalização do trabalho efetiva. Almazan, do Diesat, afirma que a carência chega a 70% do número ideal no Estado de São Paulo.
Procurada, a Advocacia-Geral da União (AGU), responsável pelos processos, não comentou os motivos da redução no número de processos. O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) também não comentou os dados do Diesat.