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12/04/2019 - 03h22
Governo paga preço por escolher ‘equipes técnicas’, diz ministro
Fonte: Valor Econômico
O governo federal paga o preço por ter escolhido "times técnicos nos ministérios", segundo o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas. Ele discursou nesta quarta-feira no Fórum Infraestrutura e Desenvolvimento, organizado pelo Valor, em parceria com a Camargo Corrêa Infra e a InterCement.
Segundo Tarcísio, "um pouco da confusão" que o governo vem enfrentando para articular a base aliada surge a partir "dessa forma de mobiliar os ministérios".
Para o ministro, o governo do presidente Jair Bolsonaro (PSL) "teve dois grandes méritos". Um foi a escolha de equipes técnicas qualificadas, classificada por ele como uma "quebra de paradigma". O outro foi a continuidade da agenda de infraestrutura que recebeu do governo Temer, como o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI).
Ele destacou que o país precisa aumentar a produtividade, e que a maneira "mais rápida" de fazer isso é por meio da infraestrutura. "Isso não se faz sem capital privado", afirmou.
O ministro afirmou que o governo federal tem uma pauta com uma grande quantidade de projetos que serão disponibilizados para a iniciativa privada. Segundo ele, os investidores estrangeiros estão muito interessados.
"O que está faltando? Um gesto. E esse gesto é a aprovação da nova Previdência e afastar o risco de insolvência do país", diz o ministro. "Se vier esse gesto, tenho certeza de que o investimento no Brasil dobra."
"Se aprovarmos a nova Previdência, teremos 1,5 ponto, 2,0 pontos, de PIB só por conta disso", projeta Tarcísio. Segundo ele, o Brasil tem os demais fatores para atração de investimentos externos, como mercado pujante, escala, projetos bem precificados e taxas de retorno competitivas.
O ministro tenta demonstrar que o Brasil está aberto para o investimento de todas origens. "O dinheiro não tem carimbo. Se o chinês vier, ninguém vai levar a ferrovia para a China", diz ele. O que todos os investidores precisarão fazer, diz ele, é cumprir os contratos.
Tarcísio lembrou também que não se pode perder a oportunidade da prorrogação dos contratos de concessão para revisitar pontos do modelo da década de 90.
Tarcísio também defendeu um modelo de desestatização de rodovias baseado na maior outorga, em vez de tarifas menores. Em tom de piada, disse que vinha sendo cobrado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, para ampliar o caixa da União com recursos de desestatizações, de maneira que o governo possa abater a dívida pública usando esses mesmos recursos. "Ele diz que gastamos um Plano Marshall por ano" com os custos da dívida pública, lembrou.
O ministro destacou que o governo tem um plano ferroviário bem traçado, que pode dobrar a participação do modo ferroviário nos próximos oito anos.
Abertura de capital dos portos
Tarcísio falou que o governo federal ainda estuda qual o melhor modelo para abrir o capital dos portos de São Sebastião (SP), Suape (PE) e da Companhia Docas do Espírito Santo (ES).
"Vamos ver o que gera mais valor", disse em entrevista coletiva, após participar do fórum. De acordo com ele, ainda não há definição sobre se o governo federal manterá ou não algum controle sobre esses portos, mas está decidido que haverá participação do setor privado.
O ministro também afirmou que o governo federal pretende relicitar a Nova Dutra, ao contrário do governo paulista, que tem a intenção de renovar as concessões em todo o Estado. Segundo Tarcísio, houve um aprendizado do setor público nos últimos anos com o aumento das concessões. Por isso, faria sentido para o governo abrir futuramente um novo processo de licitação.
Uma das ideias propostas sugeridas por ele é a implantação de uma tarifa dinâmica, que seria menor em um primeiro momento e aumentaria à medida que novas obras na rodovia fossem concluídas.






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