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25/03/2013 - 02h07

Governo tem dificuldade em tirar medidas do papel

Fonte: O Estado de S.Paulo
 
 
O resultado prático da condução da economia implementado pela presidente Dilma Rousseff se assemelha à famosa metáfora do copo "meio cheio e meio vazio", dependendo de quem vê. A economia virtualmente parou no ano passado, mas a taxa de ocupação indica uma situação de virtual pleno emprego no País, com renda em alta. A inflação mudou de patamar e resiste a cair, mas as vendas no varejo continuam robustas.
 
Nos bastidores, os economistas do governo pedem paciência, pois as mudanças já anunciadas, como o lançamento de 15 pacotes de medidas para estimular o crescimento por meio dos investimentos, teriam sido tão profundas que o empresariado precisa de tempo para se acostumar à "nova matriz macroeconômica".
 
Fariam parte desse cenário a taxa básica de juros em nível recorde de baixa (7,25% ao ano). O câmbio, que sempre flutuou com maior ou menor intervenção do Banco Central no mercado, passou a ser "administrado" pelo governo. Essa nova configuração serviria de contraponto a uma abordagem ortodoxa e liberal desses instrumentos de política econômica, iniciada no governo Fernando Henrique Cardoso.
 
Por outro lado, uma vez colocado o bloco na rua, com o lançamento de um pacote de medidas, o governo tem dificuldades em tirá-las do papel. O pacote de reforma dos portos é um bom exemplo: praticamente todos os atores que hoje travam as discussões no Congresso Nacional reclamam da falta de ouvidos da presidente durante a formulação das medidas.
 
Mesmo auxiliares presidenciais admitem que, para o caso das críticas feitas por sindicalistas, algumas rodadas de conversas no Planalto, antes da edição da Medida Provisória 595, em dezembro de 2012, poderiam ter atenuado a oposição que se seguiu ao anúncio das medidas. A conversa também facilitaria a votação da MP no Congresso.
 
As privatizações de rodovias e ferrovias não cumpriram o prazo previsto. O fundo social do petróleo não foi regulamentado. Até mesmo a primeira MP considerada "bomba" - a 539, de julho de 2011, que tratava do mercado de derivativos cambiais -, até hoje não foi regulamentada completamente.
 
Política. De olho nessa dificuldade de interpretar os supostos avanços obtidos com Dilma, os presidenciáveis da oposição já se movimentam na área econômica. O senador tucano Aécio Neves (MG) reuniu-se ainda no fim de 2012 com os economistas tradicionalmente ligados ao PSDB, como o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o ex-presidente do BC Armínio Fraga.
 
O tom da abordagem tucana é a redução do tamanho do Estado, em meio às críticas contra a criação do 39.º ministério no governo petista, a Secretaria da Micro e Pequena Empresa, promessa de campanha de Dilma.
 
Na semana passada, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB-PE), também teve um novo contato com empresários. Nos encontros, o socialista tenta vender a ideia de que um eventual governo comandado por ele faria "mais" do que Dilma vem conseguindo fazer na economia.
 
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