Notícias
22/02/2013 - 04h27
Governo tenta barrar greve - Santos Brasil manterá terminal operando com pessoal próprio e tripulação
Fonte: O Globo

Os portuários decidiram cruzar os braços por seis horas nesta sexta-feira e na próxima terça-feira em praticamente todos os terminais do país, como forma de protesto contra a reformulação das regras dos portos incluídas na Medida Provisória (MP) 595, que está em análise no Congresso. A mobilização foi confirmada em assembleia realizada em Brasília nesta quinta-feira, apesar de o governo ter convocado uma reunião na Casa Civil para hoje de manhã para discutir com os trabalhadores suas reivindicações. Mesmo com a decisão, o ministro da Secretaria dos Portos, Leônidas Cristino, informou que receberá os representantes da categoria.
Na visão do governo, uma radicalização não é razoável neste momento, sobretudo porque as discussões ainda estão abertas, e avaliou que, embora esteja disposto a ouvir os sindicalistas, uma paralisação de grandes proporções dificilmente prosperará.
— O governo não conta com a possibilidade de greve. Não é bom que ela ocorra. Não é bom para eles, nem para o porto, nem para o país — afirmou Cristino ao GLOBO, em referência à mobilização dos portuários.
Cargas essenciais não serão barradas
O presidente da Federação Nacional dos Portuários (FNP), Eduardo Guterra, disse que, há muito tempo, os trabalhadores vêm reclamando das mudanças previstas na medida provisória e que, como o calendário de mobilização já estava definido, não poderia desmarcá-lo diante da nova reunião. Ele considerou que, além de privatizar os portos, as novas regras podem levar à prática de preços abaixo do mercado, contribuir para demissões e tornar precárias as condições de trabalho.
— Nossa preocupação é com um esvaziamento das atribuições dos portuários e com possíveis demissões. Com a privatização, a guarda portuária será terceirizada — afirmou.
Para os sindicalistas, que chegaram a apresentar 80 emendas à MP dos portos, se hoje o governo mudar sua posição e aceitar alterações no texto, os portuários poderão suspender o movimento e cancelar a paralisação marcada para terça-feira. Guterra acredita que os efeitos da greve serão sentidos, sobretudo, nos principais porto, como o de Santos, do Rio e de Vitória. Os trabalhadores foram orientados a não barrar cargas essenciais, como alimentos perecíveis e remédios.
Empresários podem usar celetistas
Para Wilen Manteli, diretor-presidente da Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), é “lamentável” haver uma greve no momento em que há um processo democrático aberto para que a sociedade como um todo possa participar da discussão.
— A MP está tramitando e, mais a mais, ela repete todos os direitos dos trabalhadores da lei 8.630 (a atual lei dos portos) — disse Manteli. — A própria presidente disse que não foi alterado nenhum direito dos trabalhadores. Fazer greve é estar contra os interesses do país.
Atualmente, o custo para exportar é o triplo do praticado em Cingapura, por exemplo.
Manteli afirmou que as empresas vão procurar fazer o máximo para minimizar o impacto da greve no ritmo do comércio exterior brasileiro, movimentado em 95% de sua carga pelos portos. Ele lembrou que, conforme a lei dos portos, os empresários podem usar mão de obra contratada por eles via CLT ou até a tripulação dos navios em caso de impossibilidade de uso da mão de obra avulsa.
— A Santos Brasil vai se esforçar para manter o terminal operando com funcionários próprios e tripulações com base na lei — disse Antonio Carlos Duarte Sepúlveda, presidente da empresa.