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15/01/2015 - 10h13
Grandes armadores se unem para enfrentar cenário ruim
Fonte: Valor Econômico


O ano de 2015 inaugurará no transporte marítimo a era dos megaconsórcios, a associação de armadores em escala inédita para cobrir os tráfegos internacionais mais disputados. Dois entram em operação neste mês e outros dois menores, já em atuação, estão sendo ampliados. A estratégia é uma tentativa da indústria de reverter os resultados financeiros ruins dos últimos cinco anos, otimizando a utilização dos supernavios de até 20 mil Teus de capacidade (contêiner de 20 pés). Nenhum deles cobrirá os tráfegos do Brasil. Mas a região será impactada indiretamente, pois os armadores deslocarão as embarcações das rotas principais para as secundárias, como as que atendem a América Latina.
Especialistas acreditam que até 2016 navios com capacidade para 12 mil a 13 mil Teus chegarão à costa brasileira - o que vai impor ainda mais pressão sobre as atrasadas obras de dragagem a cargo do poder público. Com limitações físicas, os portos brasileiros enfrentam hoje dificuldades para atender embarcações de 9.600 Teus, as maiores em atuação regular por aqui.
A MSC, vice-líder do transporte internacional de contêineres, vai mandar navios de 8.500 Teus para a costa oeste da África, onde hoje dificilmente se vê embarcações maiores do que 5 mil Teus.

Os megaconsórcios utilizam navios cada vez maiores para obter ganhos de escala. Contudo, só são viáveis com uma taxa de utilização acima de 80%, daí a necessidade de compartilhamento entre os armadores. A onda foi iniciada em meados de 2013 com o anúncio de uma aliança operacional chamada P3 pelas gigantes da navegação Maersk Line, MSC e CMA CGM. Juntas, as três respondiam à época por 38% da capacidade mundial. A aliança foi vetada pelos órgãos de proteção à concorrência da China, após ter sido aprovada pelas autoridades dos EUA e Europa.
Criou-se, então, o 2M, associação entre a Maersk Line e MSC cuja previsão é entrar em operação neste mês. Será o maior megaconsórcio, cobrindo 21 rotas.
Segundo Peter Gyde, principal executivo da Maersk Line no Brasil, não há planos de que a associação chegue à América Latina. "Há amplas operações conjuntas de navios na costa e esperamos que isso permaneça na medida em que os tráfegos da Costa Leste da América Latina continuem sob pressão devido às más condições econômicas e aos altos custos."

Enquanto os VSAs são negociados individualmente para cada linha/serviço, e válidos por curto prazo (normalmente um ano), os megaconsórcios preveem alianças entre os armadores em diversos tráfegos e por um período mais longo.
"O fato relevante é que os membros ficam independentes na parte comercial e de marketing. E não se trata de fusão e aquisição", afirma Donner.
O maior VSA em operação no Brasil envolve nove empresas e conecta a Costa Leste da América Latina à Ásia. Neste mês será inaugurado outro, um acordo entre a Hamburg Süd e a UASC para troca de espaço. A Hamburg Süd vai embarcar nos navios da UASC nos tráfegos Ásia-Europa e Ásia-EUA. E a UASC vai embarcar, a partir de fevereiro, nos porta-contêineres da Hamburg Süd entre a Costa Leste da América Latina com a Ásia e Europa.
Nos últimos anos várias empresas amargaram prejuízo em função da queda dos fretes médios e do aumento dos custos do combustível dos navios, decorrentes da crise mundial. Apostava-se, então, num processo de consolidação, mas isso não aconteceu na medida imaginada em razão das estruturas das empresas e de interesses nacionais em companhias de navegação.
"A alternativa tem sido estabelecer novas modalidades de trabalho conjunto para gerenciar custos e ganhar escala sem investimentos pesados. É provável que esse cenário se mantenha no próximo ciclo, enquanto as empresas mais fortes vão se recapitalizar e as companhias mais fracas vão focar em nichos ou serem possíveis alvos de fusão, como a CSAV e a CCNI ", diz Gyde.