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16/03/2017 - 09h59
Greve dos servidores completa sete dias e não tem prazo para acabar
Fonte: A Tribuna On-line / Matheus Müller
Sindserv informa que a categoria não aceita uma proposta menor do que o índice da inflação


Os servidores de Santos completaram nesta quarta-feira (15) sete dias de greve e garantem continuar assim até que recebam uma proposta que atenda as expectativas dos trabalhadores, que reivindicam reajuste de 5,5% referente a inflação dos últimos 12 meses mais 8% de aumento real.
“Tenho duas notícias: a boa é que a categoria está em peso na greve e a ruim é que o Prefeito (Paulo Alexandre Barbosa - PSDB) só fala bobagem e as pessoas estão ficando com mais raiva”, diz Flávio Saraiva, presidente do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (Sindserv).
O sindicalista destaca que os trabalhadores seguirão se manifestando como tem acontecido há uma semana e nada vai mudar até que uma oferta seja apresentada. No momento o executivo propôs somente a correção do auxílio-alimentação e cesta básica em 5,35%. O que foi rejeitado pelos profissionais. “Isso não é proposta”.
“A última ação da Prefeitura foi entrar com uma ação na justiça (ainda sem decisão) contra a paralisação. Eles dizem que a passeata atrapalha o trânsito e estão tentando mudar a lei da greve ao dizer que educação é um serviço essencial”.
Nesta quarta, a categoria realizou mais duas passeatas, uma pela manhã com aproximadamente dois mil manifestantes e outra à tarde, com o mesmo número. “Saímos da Praça das Bandeiras (Gonzaga) e fomos até a Prodesan, onde sabemos que o prefeito está escondido”, diz o presidente.
Com relação a queda de arrecadação de R$ 100 milhões em 2016, Saraiva diz que a Prefeitura está equivocada. “Foi metade disso e este ano a Prefeitura teve um acréscimo de R$ 500 milhões no orçamento”.
Para o presidente do Sindserv, Paulo Alexandre Barbosa deveria “ter a hombridade” de ir ao Paço Municipal para ouvir a população. “Foi eleito para gerenciar problemas e não só receber aplausos. Ele se esconde”.
“Greve prolongada”
Saraiva diz lamentar a atitude da Administração Municipal em não apresentar uma proposta salarial à categoria, cuja a data-base venceu em fevereiro. “O que acontece é intransigência e descaso com a população e o servidor. Estão nos empurrando para uma greve prolongada”.
Por fim, o presidente do sindicato ressaltou que as paralisações continuam com força total e nesta quinta-feira (16), às 8 horas, os trabalhadores vão se reunir mais uma vez em frente à Prefeitura para definir as manifestações do dia.
“Esta é uma greve que se enquadra na legalidade. Tudo que a lei preconiza e determina nós estamos fazendo”, destacou Saraiva.
Resposta
Em nota, a Prefeitura informou já ter apresentado uma proposta que “por ora se restringe ao vale-alimentação e cesta básica”. Com relação a ação na Justiça, a Administração Municipal diz que pretende garantir o direito constitucional de todos, assegurando atendimento pleno à saúde, bem como acesso às aulas para 30 mil estudantes.
A Companhia de Engenharia e Tráfego de Santos (CET) ressaltou acompanhar as passeatas para garantir a segurança física dos manifestantes e organizar o trânsito prejudicado por manifestações.
Sobre a alegação do sindicato, de que o chefe do executivo se “esconde”, a nota afirma: “o prefeito jamais se esquivou do servidor, ao contrário. Segunda (13) e terça-feira (14) passou o dia em seu gabinete na Prefeitura, só se ausentando para participar de programas jornalísticos ao vivo”.
E continua: “É absurdo o comentário do sindicalista. Já esclarecemos que eventualmente o prefeito utiliza o prédio da Prodesan para reuniões com secretários lá instalados, o que não significa se esconder da população”.
A Prefeitura finaliza o texto dizendo que “é fato concreto e comprovável a queda de R$ 100 milhões na arrecadação de 2016, bem como de 17% na receita esperada para fevereiro”.