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11/09/2015 - 06h27
Imbróglio no Porto de Paranaguá trava investimentos e concessões
Fonte: Gazeta do Povo
Porto ficou de fora de lista do governo federal para novos arrendamentos. E adiamento da audiência para mudança da poligonal deve atrasar ainda mais os investimentos

Porto ficou de fora de lista do governo federal para novos arrendamentos. E adiamento da audiência para mudança da poligonal deve atrasar ainda mais os investimentos

O Porto de Paranaguá ficou de fora da lista da Secretaria dos Portos (SEP), divulgada no fim de agosto, que autoriza a elaboração de 28 Estudos de Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEAs) para o arrendamento de terminais em quatro portos públicos brasileiros. É mais um golpe para o porto paranaense, que precisa aumentar a capacidade de movimentação para não perder ainda mais espaço para os vizinhos Rio Grande (RS) e São Francisco do Sul (SC), que vêm se consolidando como alternativas no escoamento de grãos na região Sul.

A nova etapa do Programa de Investimento em Logística (PIL) pretende arrendar seis terminais em Paranaguá, dos quais cinco são áreas livres e um tem arrendatário. O porto paranaense está no segundo bloco do programa de concessões do governo federal, mas a Appa tinha expectativa de acelerar o processo e conseguir que os leilões fossem realizados ainda neste ano.
Também no fim de agosto, uma ação ajuizada pela Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Paranaguá (Aciap) conseguiu o adiamento das audiências públicas para revisão das poligonais dos dois portos paranaenses (Antonina e Paranaguá), um dia antes do primeiro encontro no litoral.
Na ação, a Aciap pediu o adiamento baseada na falta de estudos técnicos sobre os efeitos da alteração da área de abrangência. A decisão em favor da associação foi expedida pelo juiz federal Guilherme Roman Borges, da 1.ª Vara Federal de Paranaguá.
Um dia depois, a Advocacia Geral da União (AGU) entrou com um agravo em segunda instância no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF4). Embora a desembargadora federal Vivian Josete Pantaleão Caminha tenha reconhecido, em sua decisão, que os estudos poderiam ser feitos posteriormente às audiências públicas, os encontros não puderam ocorrer devido à falta de prazo.
Ainda não há nova data para as audiências. Segundo a SEP, a previsão é que haja manutenção de todo cronograma proposto para o andamento do processo.
Problemas
Além de travar a vinda de novos investimentos, o imbróglio envolvendo Paranaguá coloca em lados opostos entidades que representam a indústria e o agronegócio (juntamente com as autoridades portuárias), favoráveis à alteração na área de abrangência do porto, e representantes dos trabalhadores da região, que são contra a mudança. Eles pedem mais estudos para avaliar os impactos econômicos da medida.
A poligonal é a área de abrangência de um porto público, normalmente maior do que o espaço efetivamente ocupado por ele. Geralmente engloba, além do cais do porto, os terrenos destinados à atividade portuária, onde ficam depósitos e escritórios. E também áreas para eventual expansão.
As companhias que operam dentro da poligonal têm de se submeter a diversas regras, como a contratação de mão de obra de estivadores avulsos apor meio dos TPAs (Trabalhadores Portuários Avulsos). A mudança abre caminho para investimentos privados sem as exigências legais próprias dos territórios portuários.


Governo liberou estudos em estados vizinhos
Os 28 estudos para arrendamentos autorizados pela SEP deverão contemplar áreas nos portos de Santos (SP), Rio de Janeiro, Suape (PE) e São Francisco do Sul (SC). Ao todo, dez empresas foram autorizadas pela portaria, publicada em 27 de agosto, a realizar os estudos. Elas terão 60 dias para apresentar os resultados, que serão avaliados por uma comissão a ser nomeada pelo ministro Edinho Araújo.
Além das empresas autorizadas, a SEP recebeu doação de EVTEA da Bunge Alimentos referente a uma área no Porto do Rio de Janeiro que deve ser arrendada para a movimentação de trigo. Além dela, a empresa Vasconsult Consultoria, Engenharia e Pesquisa manifestou interesse em doar um estudo para o arrendamento de uma área para movimentação de trigo no Porto de Suape.
“Os valores que serão investidos deverão atingir R$ 1,3 bilhão, com reflexos relevantes no aumento da capacidade de movimentação de cargas nos portos brasileiros. Espera-se que o incremento na movimentação seja de aproximadamente 19 milhões de toneladas por ano após a realização dos investimentos previstos”, disse o ministro.
Argumentos a favor e contra
Confira abaixo o que entidades de classe pensam da revisão das poligonais dos portos de Antonina e Paranaguá:

