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09/12/2020 - 08h53

Indicadores de mercado de trabalho da FGV sinalizam retomada difícil para emprego em 2021

Fonte: Valor Investe
 
Segundo Rodolpho Tobler, economista da escola, com o fim do auxílio emergencial, crescem as dúvidas sobre o andamento da atividade econômica em 2021
 
 
Incerteza em relação à economia no próximo ano, principalmente com o fim do auxílio emergencial, sinaliza trajetória de recuperação difícil do mercado de trabalho em 2021, alertou o economista da Fundação Getulio Vargas (FGV) Rodolpho Tobler. Ele fez a observação ao comentar a evolução de dois indicadores de emprego anunciados pela fundação hoje, que mostram piora no cenário de vagas no país até novembro.
 
Após seis altas consecutivas, o Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) caiu 0,4 ponto entre outubro e novembro, para 84,5 pontos. Já o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD) subiu 3,2 pontos, para 99,6 pontos, maior patamar desde maio de 2020 (99,6 pontos).
 
O especialista detalhou que, com o fim do auxílio emergencial, crescem as dúvidas sobre o andamento da atividade econômica em 2021. Tobler lembrou que, durante a pandemia, foi o benefício que sustentou, em parte, o consumo das famílias e, na prática, impediu tombo maior do PIB. No segundo trimestre, a economia caiu 9,7% ante o primeiro trimestre de 2020, segundo o IBGE, e avançou 7,7% no terceiro trimestre ante os três meses imediatamente anteriores.
 
Tobler chamou atenção para a piora mais acentuada do ICD, em novembro. O indicador caiu em todas as faixas de renda pesquisadas pela fundação, sendo que a maior contribuição para o recuo foi originada das famílias com ganhos mensais até R$ 2,1 mil.
 
"Pessoas estão voltando a procurar vaga e o mercado de trabalho não está forte o suficiente para absorver essas pessoas", alertou ele. Com perda de emprego e a diminuição pela metade de valor de auxílio emergencial nos últimos meses do ano, isso, na prática, estimula os brasileiros a procurarem trabalho para compor renda, notou ele - pressionando para cima o ICD.
 
Isso pode piorar em 2021, admitiu o economista, visto que não há previsão de extensão do atual auxílio emergencial, até o momento, nem anúncio de novo programa emergência de transferência de renda.
 
Além disso, o recente avanço no número de casos de covid-19 não ajuda. Isso leva dúvidas a possíveis novas ações de restrição social mais duras, no curto prazo - o que não estimula o empresário a pensar em abrir novas vagas, notou.
 
"Há um aumento de incerteza, em muitos fatores, que pode estar contribuindo [para a piora dos indicadores]" afirmou. "Essa recuperação do mercado de trabalho está sinalizando que não vai ser fácil", afirmou ele.
 
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