Notícias
19/08/2013 - 01h32
Indicadores projetam piora do mercado de trabalho no 2º semestre
Fonte: O Estado de S. Paulo

Dois indicadores divulgados ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) apontam piora no mercado de trabalho neste segundo semestre, com alta do desemprego na comparação com o cenário da segunda metade do ano passado.
O Indicador Antecedente de Emprego (IAEmp) recuou 5,7% em julho, maior queda desde novembro de 2008 (-18,7%), auge da crise financeira mundial. A FGV calcula o índice cruzando dados das sondagens da indústria, de serviços e do consumidor, para antecipar rumos do mercado de trabalho no País.
Por sua vez, o Indicador Coincidente de Desemprego (ICD), que visa antecipar tendências de desemprego, cresceu 7,2% em julho ante junho, maior alta da série histórica do índice, iniciada em novembro de 2005.
Para a FGV, após sucessivos recordes de baixa no desemprego, houve uma reversão de tendência no mercado de trabalho, afetado pela baixa atividade econômica e pela falta de confiança na economia. Segundo especialistas, porém, a elevação no desemprego tende a ser lenta e mais significativa em 2014.
"A perspectiva para o mercado de trabalho para o fim deste ano está bem pior", diz o pesquisador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Ibre/FGV), Fernando de Holanda Barbosa Filho. Isso vale mesmo se a taxa de desemprego média encerrar 2013 em nível parecido com o de 2012.
Fatores. Segundo Barbosa Filho, parte dessa piora é natural, numa "economia que gerou muito emprego durante muito tempo", mas parte se deve a uma deterioração, por causa da fraca atividade econômica, com as expectativas em baixa. Além disso, os índices de expectativa do consumidor foram afetados pelas manifestações populares que tomaram o País a partir de junho. O recorde de variação negativa do ICD pode ter sido exagerado por isso.
"Com as manifestações, os sintomas são de que a confiança entrou numa trajetória forte de queda", diz José Márcio de Camargo, economista da gestora de recursos Opus e professor da PUC-Rio. "Se os empresários passarem a ter a expectativa de que a economia não vai voltar a crescer, que é o que está no cenário, vale mais a pena demitir os trabalhadores."
Uma elevação mais forte do desemprego, porém, deverá, ficar para 2014. "A condição demográfica co; labora. Então o aumento do desemprego não será tão elevado ; quanto seria há dez anos", diz Barbosa Filho, do Ibre/FGV.