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03/08/2015 - 04h59

Inovação eleva produtividade em terminais

Fonte: Valor Econômico
 
Os terminais portuários brasileiros têm batido sucessivos recordes de produtividade e a tecnologia é fundamental no alcance dessas metas.

 
Desde que iniciou a operação do Tecon Santos, em 1997, a Santos Brasil investiu R$ 2 bilhões em tecnologia, elevando a produtividade do terminal de 11 movimentos por hora (MPH) para cerca de 110 MPH, em média, ao mês. Em abril, a empresa registrou 225,25 MPH na operação de um único navio, estabelecendo um novo recorde de produtividade por operação no Porto de Santos.
 
Segundo Ricardo Molitzas, diretor de operações portuárias e logísticas da Santos Brasil, a empresa foi pioneira no agendamento eletrônico de caminhões há dez anos. Em 2014, implantou um sistema de controle de acesso voltado ao modal ferroviário e automatizou os gates de entrada com OCR (Optical Character Recognition) para leitura óptica das placas dos caminhões e dos dados de cada contêiner.
 
A empresa também introduziu o sistema de biometria para caminhoneiros e já cadastrou mais de 50 mil motoristas. A automação do processo de entrada permitiu uma redução de até 81% no tempo utilizado para o acesso de caminhões ao interior do terminal.
 
"A inovação mais recente é o uso de QR Code no sistema de agendamento de veículos. Ao entrar no site, a empresa recebe, via Whatsapp, ou imprime um QR Code que identifica sua operação. Quando chega ao terminal, o acesso é liberado após o motorista aproximar o dispositivo do leitor digital em um dos dez gates de entrada. Agora estamos analisando a automação dos gates de saída e o uso de leitura óptica de caracteres nos guindastes que carregam e descarregam os navios", diz Ricardo Abbruzzini Filho, diretor de TI da Santos Brasil.
 
A Embraport inovou no processo de pesagem de contêineres diretamente nos guindastes RTGs, eliminando a necessidade de remoção da carga no pátio para a pesagem nas balanças rodoviárias. Hoje são 14 equipamentos em funcionamento, e a previsão é de que, até o final de 2015, as oito máquinas restantes estarão em funcionamento.
 
Outra inovação é o uso da tecnologia QR Code para a operação de cargas soltas, especificamente no manuseio de trilhos de importação. Os trilhos são descarregados do navio e armazenados no pátio do terminal. Para carregá-los no caminhão, eles são agrupados em "fiadas" (conjunto de 12 trilhos presos a um spreader e transportado pelo RTG) que depois são posicionadas sobre a carreta.
 
No processo anterior, um fiscal da Embraport precisava anotar todos os números de série dos trilhos em uma prancheta e reportar as informações manualmente à importadora da carga. A nova tecnologia permite a leitura dos códigos dos trilhos por meio do sistema QR Code. Desde a implantação em março deste ano, já foram manuseados mais de 30 mil trilhos de importação, assegurando um nível de 80% de acerto na leitura da carga.
 
Luiz Alves, presidente da TCP, terminal de contêineres de Paranaguá, informa que a empresa investiu R$ 365 milhões em equipamentos nos últimos anos. Ele destaca a integração do terminal com a ferrovia da ALL/Rumo, que ele considera a solução logística mais moderna para exportação.
 
"No mundo todo, a integração porto-ferrovia é a mais eficiente, reduzindo os custos entre 20% e 30%. Em portos como os de Roterdã e Nova York, metade dos contêineres já chega por ferrovia. Em Paranaguá, já operamos 20% dos contêineres, num total de 13 mil TEUs por mês. Isso exigiu um guindaste específico e mudanças nos processos", diz Alves.
 
No Porto do Rio, os dois principais terminais renovaram o parque de equipamentos. A Libra Terminais investiu R$ 110 milhões em dois portêineres e 12 Transtêineres E-RTGs (Rubber Tyre Gantry Crane ou guindaste elétricos de pórtico sobre pneus) enquanto a Multiterminais investiu R$ 100 milhões na compra de dois novos portêineres e 10 E-RTGs.
 
"Adquirimos um sistema de controle de tráfego e outro de programação de navio desenvolvidos em parceria com a Cash computadores. Agora estamos adquirindo, com recursos de R$ 49 milhões da Secretaria Especial de Portos, um sistema integrado de VTMS (Vessel Traffic Management Information System) ou Sistema de Gestão de Tráfego de Embarcações baseado em radares e satélites. As soluções estão sendo implantadas nos portos do Rio, Itaguaí, Niterói e Angra dos Reis", diz Guilherme Carvalho de Souza, superintendente dos portos do Rio e de Niterói da CDRJ.
 
No Porto de Suape, o mais recente investimento foi num sistema de ISPS-Code (International Ship and Port Security Code), padrão de segurança desenvolvido após o 11 de setembro. O sistema foi implantado em 2013 para controle de todos os pontos de acesso com identificação individual, registro de veículos via OCR e controle das áreas alfandegadas. Os terminais de granéis líquidos operados pela Petrobras substituíram os braços de carregamento visando aumentar a vazão e a produtividade.
 
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