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29/04/2016 - 04h45

Inteligência embarcada reduz os custos logísticos

Fonte: Valor Econômico

 
Concentração no modal rodoviário, baixo investimento em infraestrutura de pavimentação e falta de segurança, além da informalidade na atividade de transporte, aumentam o custo logístico. A inteligência embarcada — sensores nos veículos e nas cargas e o controle de frotas, — promete atacar esses obstáculos. Em uma frota de veículos pesados, combustível, pneu, manutenção e lubrificantes ultrapassam 51% do custo do transporte.
 
“Analisando essas informações em um sistema em nuvem é possível aperfeiçoar a operação e alcançar uma queda nos gastos com esses itens em 50%”, afirma Rodrigo Caiado, diretor comercial da Policard. Segundo o Departamento Nacional de Trânsito (Denatran), a frota brasileira totaliza 90 milhões de veículos, dos quais 65 milhões poderiam ter um sistema de telemetria para fins logísticos e apenas 5 milhões são rastreados.
 
“Mesmo um sistema simples de rastreamento, com sensores nos caminhões e o acompanhamento da rota do veículo, velocidade média e a comunicação com motoristas em caso de problemas, melhora de forma considerável a qualidade do transporte”, afirma Caiado. A chave de uma solução logística é a integração de toda a cadeia de negócios de forma digital. “A logística é precursora do mundo conectado, replicando a análise de informações de toda a cadeia para a gestão de suprimentos em outras indústrias”, afirma Paulo Carletti, diretor de desenvolvimento de negócios para a América Latina da SAP. Em um projeto da qual a SAP participou no porto de Hamburgo, na Alemanha, terceiro maior da Europa, que movimenta 9 milhões de contêineres por ano, a principal demanda era ampliar o volume sem aumentar o espaço físico.
 
Um estudo mostrou que toda a movimentação existente na área portuária consumia apenas 30% do tempo e 70% eram desperdiçados com burocracias. Por meio de sensores implantados em toda a cadeia produtiva, a solução interligou o motorista do caminhão que chega com a carga aos outros atores do processo. Com a informação da chegada do navio, o motorista agenda o horário e recebe a informação sobre o local onde vai colocar a carga, sem enfrentar filas. Esse compartilhamento de informação e planejamento integrado entre os departamentos, segundo Carletti, permitiu ao porto dobrar sua capacidade produtiva.
 
Essa massa de informações sobre a carga vai para a nuvem de um provedor de serviços, e todos os parti¬ cipantes da cadeia logística pagam apenas pelo uso desses serviços, sem investir em equipamentos ou softwares. “Isso representou uma evolução do conceito de rede de negócios na movimentação e gestão de cargas”, afirma Carletti. A nuvem é parte integrante das atuais soluções logísticas, afirma José Antônio Mazzoni, diretor da InTouch Solution, que oferece um sistema de gestão de entrega de mercadorias. Para que os clientes acompanhem toda a movimentação, eles têm acesso a um portal que faz montagem das rotas e consolida informações. A partir da au torização da distribuidora, o cliente que vai receber a entrega visualiza o deslocamento através de mapas dinâmicos e obtém informações adicionais, tais como eventuais desvios de rota e previsão do prazo de chegada. Um painel de controle centralizado conecta todos os veículos ao sistema de gerenciamento, oferecendo visualização da frota e de cada veículo em particular. Com recursos dos smartphones, é possível enviar foto da carga sendo entregue, imagens do veículo ou da via de tráfego, imagens documentais da chegada da carga ao destino, código de barras e assinaturas eletrônicas.
 
A implantação de sensores também é chave para a administração de contêineres da Maersk em 400 navios, integrando a logística marítima e terrestre, em um projeto da Ericsson no porto de Estocolmo, na Suécia. A coleta de informa¬ ções em todos os pontos do processo, permite à Maersk armazenar dados e oferecer outros serviços, como o controle de temperatura e umidade dos contêineres que armazenam os alimentos perecíveis. Antes de chegar ao porto uma carga de frutas, por exemplo, tem sua temperatura aumentada para amadurecer mais rápido para ser comercializada.
 
“A consolidação e análise de dados também facilita o modelo de negociação entre empresas que administram o armazenamento e a entrega da carga”, diz Jesper Rhode, diretor de marketing da Ericsson para a América Latina. Um conjunto de sistemas, chamado Ericsson Nuvem Marítima, analisa os dados sobre combustível, condições de navegação e outros itens da operação. A análise desses parâmetros gera economia em torno de US$ 50 milhões por ano ao transportador logístico.
 
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