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05/04/2013 - 02h49

Investigados pela Abin, sindicalistas portuários se revoltam com o Governo

Fonte: AssCom Sindogeesp
 
 
A notícia de que o Governo Federal está investigando o movimento sindical portuário através da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) causou revolta nas lideranças sindicais portuárias de Santos. Denominada Operação Mosaico, a investigação recai diretamente sobre o governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) e sindicalistas do seguimento.
 
Provável adversário da presidenta Dilma Rousseff nas eleições do próximo ano, Campos tem sido um dos maiores críticos da política econômica praticada pelo atual Governo. Ao lado do deputado federal, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), e com o apoio dos dirigentes sindicais portuários, o governador pernambucando vem liderando uma verdadeira cruzada contra a Medida Provisória 595, novo marco regulatório para o setor prestes a ser votado no Congresso Nacional.
 
Um dos mais indignados é o presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos, Rodnei Oliveira da Silva. Acompanhado por outros representantes da categoria, ele esteve reunido com Eduardo Campos, no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo, em Recife, para discutir os rumos da política portuária nacional. "Se o objetivo da Abin é intimidar o movimento sindical portuário, não vão conseguir". 
 
Segundo Rodnei, a operação desencadeada pelo Governo Federal é autoritária e representa a volta aos tempos da ditadura. "Uma vergonha e um grande retrocesso para o Brasil e para a democracia, já que a Abin está fazendo extamente o que fazia o SNI (Serviço Nacional de Informações),durante o Regime Militar, só faltando sequestrar, torturae e até sumir com os companheiros".
 
O presidente do Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras (Sindogeesp), Guilherme do Amaral Távora, é outro que se mostrou decepcionado com a investigação. "Os governantes estão se esquecendo da contribuição e da importância que os sindicatos tiveram na retomada do processo democrático". 
 
As investigações tiveram início a cerca de um mês e foram classificadas pelo Planalto como "gerenciamento de risco".
 
"O mais estranho é que o partido do atual governo teve como berço o movimento sindical", definiu o presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga, Descarga e Capatazia, Marco Antônio Sanches 
 
"Eu me nego a acreditar que a presidenta Dilma, que foi presa e torturada pelos órgãos de repressão com a ajuda da própria Abin, que na época se chamava SNI, esteja por trás disso", disse o presidente do Sindicato dos Empregaos na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos.
 
Com uma equipe de agentes infiltrados no Porto de Suape o Governo pretende acompanhar de perto o poder de articulação dos trabalhadores liderados pelo governador Eduardo Campos, diante da ameaça de uma possível paralisação nacional nos portos brasileiros, podendo gerar desgaste político e arranhar a imagem de Dilma Rousseff perante os investidores, sobretudo os estrangeiros.
 
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