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25/02/2015 - 05h39
Juros de empréstimos consignados sobem até 47% em um ano
Fonte: Extra

Embora seja o menor dos monstros entre as opções de crédito para a pessoa física, por ter juros menores, o empréstimo consignado está com as garras bem mais afiadas do que há um ano. Um levantamento feito pelo EXTRA no site do Banco Central (BC), na quinta-feira passada, mostrou que as taxas médias dessa modalidade de empréstimo com desconto em folha de pagamento subiram até 46,82%, de janeiro do ano passado para janeiro deste ano (confira abaixo).

Embora seja o menor dos monstros entre as opções de crédito para a pessoa física, por ter juros menores, o empréstimo consignado está com as garras bem mais afiadas do que há um ano. Um levantamento feito pelo EXTRA no site do Banco Central (BC), na quinta-feira passada, mostrou que as taxas médias dessa modalidade de empréstimo com desconto em folha de pagamento subiram até 46,82%, de janeiro do ano passado para janeiro deste ano (confira abaixo).
O maior percentual foi encontrado no HSBC, onde a taxa média da linha de consignado para servidores públicos subiu de 1,73% para 2,54% ao mês, de janeiro de 2014 para o mês passado. Segundo cálculos de Reginaldo Gonçalves, coordenador de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina (FASM), um empréstimo de mil reais tomado com a taxa de juros anterior custaria, no total, R$ 1.351,80. Com os juros médios atuais, o pagamento final seria de R$ 1.537,66 — 13,7% maior.
Já os juros do consignado destinado a segurados do INSS tiveram a maior, nos últimos doze meses, na Caixa Econômica: a taxa média subiu 24,22%, passando de 1,61% para 2% ao mês. Nesse caso, um empréstimo de R$ 3 mil, por exemplo, que antes custaria, no total, R$ 3.976,20, agora resultaria numa dívida de R$ 4.237,20, de acordo com os cálculos de Gonçalves.
Para trabalhadores da iniciativa privada, o Bradesco foi o que mais elevou os juros do consignado: de 2,21% ao mês para 2,8% ao mês. Uma alta de 26,69%. Nesse cenário, um crédito de R$ 5 mil, que totalizaria um montante de R$ 7.302,24 a ser pago, agora consistiria num total de R$ 8.000,64.
Moises Bagagi, economista e diretor financeiro da M2BS, explica que, embora menores do que os de outros tipos de crédito, os juros do consignado subiram em função da escalada recente da Selic.
— Como em todas as economias do mundo, o custo do dinheiro no tempo, é, no mínimo, a taxa básica da economia do país — disse.
Procura por empréstimo cresce 23% entre os segurados do INSS
Também de janeiro de 2014 ao mês passado, o total de novos empréstimos consignados — somados os destinados a servidores, trabalhadores da iniciativa privada e segurados do INSS — cresceu, em média, 6,6%: de R$ 149,8 bilhões para R$ 159,7 bilhões.
Compõe essa média um percentual alarmante: enquanto o volume para servidores e funcionários do setor privado cresceu 0,19% e 1,93%, respectivamente, os empréstimos para segurados do INSS aumentaram 22,75%. Ou seja, mais beneficiários da Previdência Social estão recorrendo a crédito mais caro, já que os juros no período subiram.
— A maior parte dessas pessoas é carente de informações e conhecimentos financeiros e não conhece as taxas de juros. Minha dica é: preocupe-se com o montante emprestado e a taxa de juros, e não com o valor da parcela — orienta Bagagi.
O especialista acrescenta que o correntista deve estar atento a outros custos do empréstimo:
— Exija ver o CET, o Custo Efetivo Total do Empréstimo (que inclui taxas e seguros). É muito importante também ver o prazo. Quanto maior o prazo, mais juros você paga. A parcela fica menor, mas você está pagando mais juros.
Procurado, o Bradesco afirmou, em nota, que “no setor privado, as taxas do Crédito Consignado refletem as características de público de diversos setores de atuação das empresas com as quais o banco possui convênio, e variam de acordo com o perfil diário das contratações das operações”.
O HSBC e a Caixa Econômica não se manifestaram sobre a alta de suas taxas de juros.
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