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09/04/2018 - 06h31

Libra doou ao MDB em 2013 e pagou dívidas de Marina

Fonte: Valor Econômico

 
Investigado pela Operação Scala, que apura um esquema de pagamento de propina no setor portuário, o grupo Libra fez doações ao MDB até em anos em que não houve eleição. Em dezembro de 2013, a empresa de terminais deu R$ 1,45 milhão ao partido, então presidido por Michel Temer. Se não houve processo eleitoral, foi naquele ano que foi sancionada a nova Lei dos Portos (12.805).
 
Na época das discussões sobre a nova legislação do setor, o grupo Libra era visto como um dos principais beneficiados pelas mudanças, que ampliaram as possibilidades de prorrogação dos contratos de arrendamento. O relator do projeto que viria a ser aprovado foi o senador Eduardo Braga (MDB-AM).
 
Procurada, a direção do MDB não explicou a motivação da doação atemporal e nem onde o dinheiro foi aplicado. Informou apenas que o dinheiro recebido fora do calendário eleitoral atendeu às normas vigentes à época.
 
Na campanha de 2014, o MDB também foi o preferido do grupo Libra. O partido do presidente Michel Temer recebeu R$ 2,5 milhões. A maior parte foi direcionada ao diretório nacional, mas a seção do partido no Rio de Janeiro também foi contemplada.
 
Um dos beneficiados pelas doações foi Rodrigo Rocha Loures, que não conseguiu se eleger deputado federal pelo Paraná, mas acabou assumindo uma cadeira na Câmara quando Osmar Serraglio foi nomeado ministro da Justiça, já no governo Temer.
 
Rocha Loures, que mais tarde virou assessor especial de Temer, era um grande defensor dos interesses do setor portuário no governo. Foi ele quem fez articulações para dar aos terminais com contratos assinados antes de 1993 a possibilidade de prorrogação. Rocha Loures recebeu R$ 100 mil de Rodrigo Torrealba, um dos sócios do grupo Libra.
 
As contribuições ao MDB foram feitas, na pessoa física, pelos cinco integrantes da família Torrealba investigados. Desses, quatro tiveram a prisão preventiva autorizada, mas apenas Celina Torrealba foi recolhida, pois os demais estavam fora do Brasil. O ministro Luís Roberto Barroso, do STF, determinou no domingo que todos se apresentem assim que desembarcarem no país.
 
Celina também ajudou a ex-senadora Marina Silva a quitar dívidas da campanha presidencial de 2014. No dia 23 de outubro daquele ano, quase três semanas após o primeiro turno, a empresária registrou uma doação de R$ 250 mil para Marina, segundo informa o Tribunal Superior Eleitoral. Antes da votação em primeiro turno, no qual Marina ficou em terceiro lugar, com 21,3% dos votos válidos, Celina já havia destinado R$ 250 mil para a campanha presidencial do PSB e seu irmão, Gonçalo, outros R$ 226 mil.
 
Naquele ano o vice-governador de São Paulo, Márcio França, político da Baixada Santista, era o tesoureiro do partido. Próximo da família Torrealba, ele nega que tenha atuado para atrair o apoio financeiro à campanha do PSB.
 
"Os contatos com a campanha da Marina não foram por meu intermédio, porque a Marina tinha gente específica pra esse fim", disse França, que está prestes a assumir o governo paulista. A assessoria de imprensa do Rede Sustentabilidade disse apenas que "a doação foi feita em estrita consonância com a legislação".
 
De acordo com França, Celina fez a doação movida por uma ligação afetiva com a legenda. O avô da empresária, Hermes Lima, primeiro -ministro entre 1962 e 1963, pertencia ao PSB de então. "[A Celina] sempre fala que o avô foi do nosso partido e que tem simpatia por nossa sigla", explicou.
 
Antes de o MDB assumir o comando do setor portuário no governo petista, a área era dominada pelo PSB, especialmente por indicados do ex-ministro Ciro Gomes, hoje pré-candidato ao Palácio do Planalto pelo PDT.
 
Em nota, o grupo Libra alegou que as informações referentes às doações eleitorais estão sendo prestadas às autoridades e que, por ora, as únicas manifestações oficiais tratam de afastar qualquer hipótese de que as mudanças no marco regulatório tivessem sido feitas de forma a beneficiar exclusivamente o grupo Libra. "O Grupo Libra jamais atuou ilegalmente para mudança da legislação, com vistas a seu benefício exclusivo", diz o informe.
 
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