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06/08/2013 - 02h45
Licitações ainda causam dúvidas nas empresas
Fonte: Valor Econômico

A percepção que o setor do agronegócio tem em relação à licitação de 52 terminais em portos públicos é de ambiguidade. As empresas se sentem estimuladas a participar, motivadas pela posição que o Brasil ocupa no cenário internacional como supridor da vez no fornecimento de alimentos. Todavia, esta sensação desaparece por conta da falta de clareza de pontos tornados públicos e que têm gerado dúvidas. A esperança é de que estes receios sejam dissipados com a publicação do edital, a partir de setembro, quando o texto revelará detalhes como a localização de todos os terminais. Outro momento para fazer ajustes de modo a atrair interessados serão as audiências públicas.
Dos 52 terminais a serem licitados, metade fica no Pará e a outra metade em Santos. No caso de grãos, o chamado Arco Norte - portos que ficam entre Itacoatiara (AM) a São Luis (MA) - irão concentrar as atenções por causa da construção do novo canal no Panamá, ao lado do atual, que permitirá operar navios com carga de 150 mil toneladas, mais do que o dobro da capacidade atual (70 mil toneladas). A inauguração está marcada para o início de 2015. Na rota para a Ásia, por exemplo, apenas com o uso de navio de porte maior, a redução do custo do frete ficará 25%/30% menor. "A tendência do Arco Norte é buscar o mercado da Ásia", diz Luiz Antonio Fayet, consultor da CNA.
"Os portos de Belém e São Luis serão bem mais competitivos por causa de navios maiores para navegação de 40 dias. O ganho de tempo de navegação é pouco, dois dias de ida e dois dias de volta. Mas, além do frete, se ganha no deslocamento dos grãos da área de produção até estes portos, entre 500 e mil km saindo por cima" aponta Fayet. Haverá uma mudança estrutural. Ele faz as contas. "Um saco de milho que sai de Cinop (MT) vale hoje R$ 15,00. Com economia de frete o produtor ganharia R$ 6,00. Veja o que fica na mão do produtor, R$ 21,00", diz. "Hoje a soja suporta o frete, o milho tem dificuldades, mas o milho ganhará viabilidade na hora que o novo Canal do Panamá começar a operar", profetiza.
Solucionados os portos do Arco Norte, cairá de forma contundente a sobrecarga sobre Santos e Paranaguá. Do total da produção de milho e soja de 2012, de 139,3 milhões de toneladas, 80,3 milhões de toneladas (57,6%) foram colhidas na metade norte do Brasil e desse volume, 55,6 milhões foram exportados pelos portos da Santos e Paranaguá. "Este excedente de 55,6 milhões de toneladas representa 56% de toda a movimentação de Santos o ano passado.
A Secretaria Especial de Portos diz que não há prospecção do número de participantes para os leilões. Em resposta a um pedido de entrevista, a assessoria da SEP informa que "serão muitos dado à grande expectativa do mercado com as licitações", sem identificar o grupo de interessados do agronegócio.