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10/08/2015 - 06h31
Lideranças sindicais querem continuidade da SEP
Fonte: FalaSantos / Denise Campos De Giulio

A notícia de uma possível extinção ou incorporação por outro ministério da Secretaria de Portos (SEP) não foi bem recebida pelos trabalhadores e lideranças sindicais do Porto de Santos. O estudo que visa a diminuição do custo da máquina pública através da redução de ministérios foi encomendado pela presidente Dilma Rousseff à técnicos do governo, na última segunda-feira (3), e pode atingir outras áreas.

A notícia de uma possível extinção ou incorporação por outro ministério da Secretaria de Portos (SEP) não foi bem recebida pelos trabalhadores e lideranças sindicais do Porto de Santos. O estudo que visa a diminuição do custo da máquina pública através da redução de ministérios foi encomendado pela presidente Dilma Rousseff à técnicos do governo, na última segunda-feira (3), e pode atingir outras áreas.
Além da pasta comandada pelo ministro Edinho Araújo, a ameaça se estende ao Ministério da Pesca, Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e às secretarias de Assuntos Estratégicos e da Micro e Pequena Empresa. Com a extinção da Secretaria de Relações Institucionais, em abril deste ano, a equipe comandada por Dilma ficou composta por 24 ministérios, 10 secretarias com status de ministérios, além do Banco Central, Advocacia-Geral da União, Controladoria-Geral da União, e o GSI.
À frente do Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras do Estado de São Paulo (Sindogeesp), Guilherme do Amaral Távora revelou ser contrário à mudança. "A SEP não só resgatou a importância do segmento portuário para a economia nacional, como também recolocou os portos brasileiros, sobremaneira o de Santos, numa posição de destaque no cenário internacional, e por isso sou totalmente contra".
A perda de representatividade dos portuários é outro motivo de preocupação do líder sindical. "A SEP é sem dúvida alguma o palco principal para os grandes debates e uma espécie de porto seguro para os trabalhadores, que desde sua fundação, em 2007, obtiveram significativos avanços", pontuou Guilherme. Com status de ministério e finalidade de renovar e alavancar o modelo de gestão portuária, a Pasta foi criada naquele ano pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A opinião é compartilhada pelo presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga, Descarga e Capatazia do Porto de Santos, Marco Antônio Sanches. "Se levarmos em conta que 95% das riquezas produzidas no país são exportadas pelos portos, ao invés de acabar com o ministério ou colocá-lo em segundo plano a presidente Dilma e sua equipe econômica deveriam priorizar suas atenções no setor".
Na avaliação do dirigente, a Secretaria é uma das mais relevantes entre 38 órgãos que compõem o primeiro escalão do governo. "Ao longo desses oito anos a SEP se transformou num dos principais agentes multiplicadores de possibilidades na área econômica, de forma que o seu desaparecimento ou aglutinação por outro ministério representará um grande retrocesso para trabalhadores, empresários e demais agentes que interagem na navegação comercial".
Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias de Santos e região (Sintrammar), Francisco Erivan Pereira, a relevância da SEP pode ser avaliada através da movimentação de cargas nos portos brasileiros. "Desde que a SEP foi instituída os portos brasileiros tiveram um aumento de quase 40% (39,8) no resultado operacional, ou seja, passaram das 693 milhões de toneladas movimentadas em 2006, ano que antecedeu sua criação, para 969 milhões de toneladas consolidadas ao término de 2014". Na opinião do dirigente, mais que uma secretaria com status de ministério, a SEP deveria ser tratada pelo governo como um órgão estratégico para atrair divisas e gerar mais empregos.
Segundo Erivan, a extinção ou incorporação causará impactos negativos também no retroporto, área de atuação dos movimentadores de mercadorias. "Considerando que dentro da cadeia logística os reflexos de tudo o que acontece na zona primária são imediatos e afetam diretamente as atividades desenvolvidas nas empresas retroportuárias, a medida poderá gerar um efeito dominó em prejuízo de muitas outras categorias ligadas aos portos".