Notícias
18/09/2015 - 04h07
Longo curso tem contribuído com a cabotagem na navegação mundial
Fonte: Guia Marítimo
Opinião é de especialista da Datamar, que destaca que hoje os embarcadores precisam ganhar escala e reduzir custos unitários de transporte

Opinião é de especialista da Datamar, que destaca que hoje os embarcadores precisam ganhar escala e reduzir custos unitários de transporte

“A palavra de ordem na indústria é ganho de escala”. Essa é a opinião de Leandro Barreto, da Datamar, ao analisar o crescimento do feeder e as vantagens para os embarcadores. Segundo o especialista, atualmente, é possível notar que o longo curso tem contribuído com a cabotagem na navegação mundial, até porque os embarcadores hoje precisam ganhar escala e reduzir custos unitários de transporte. Por conta disso, o tamanho dos navios tem aumentado, o que demonstra a dedicação do mercado para reduzir o valor unitário de TEU. “Atualmente, na Ásia e na Europa, os navios chegam a movimentar 19 mil Teus, sendo que este tamanho tem dobrado a cada dez anos. O resultado desta tendência é de que as empresas, ao apostarem nos supernavios, obtiveram ganhos de escala, pois as embarcações navegam com mais carga e isso sugere megaconsórcios, com a junção de grandes armadores (MSC e Maersk se juntando no 2M, fazendo as rotas Leste – Oeste), tornando este transporte viável economicamente, pois torna possível a redução do frete. Isso é um indício do que deve chegar ao Brasil”, avalia. Barreto ressalta, porém, que para proporcionar ganhos, os meganavios precisam estar cheios, o que explica os megaconsórcios.
“A capacidade dos navios cresceu 300% em 16 anos e o comprimento avançou 150%. Na prática, isso significa que o mercado necessita de calados maiores, terminais mais espaçosos e tecnologia, que atenda embarcações com esta proporção”, disse.
Barreto explica ainda que com crescimento de 450% na movimentação de cargas no Brasil, segundo dados da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), o novo padrão de navios “gigantes” coloca mais pressão nos portos e terminais, no que se refere à infraestrutura, que segundo ele, refletem na necessidade cada vez maior de mais canal de acesso, retroárea, extensão dos berços e novos guindastes”, explica.
Apesar desta tendência, Barreto salienta que a escala de navios no Brasil cresceu até 2005, depois se manteve estável e, agora, vem apresentando queda. Para reverter o quadro, o consultor diz que a infraestrutura é a resposta. “O fato é que os navios cresceram, mas os portos não acompanharam a mesma proporção, não permitindo que os supernavios atuem no País”, diz.
Segundo o executivo, outro fato identificado é que os portos que mais ganharam escala na cabotagem, foram os que mais perderam no longo curso pelas limitações de receber esses mega navios, como, por exemplo, Santos, Suape e Vitória. Neste sentido, os navios grandes deixaram de usar esses portos e aumentaram a participação no feeder. Para ele, por conta desta movimentação, o modelo de hub port e feeder port deve se consolidar no Brasil e, como resultado, deve aumentar as escalas e capacidade na cabotagem, pois o frete deve ter valores reduzidos e as escalas tendem a avançar.