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10/12/2014 - 03h45

Lula detalha prisão na ditadura em depoimento à Comissão da Verdade

Fonte: Folhapress

 
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (2003-2010) foi a última pessoa a prestar depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV), na manhã desta segunda-feira, na sede do instituto que leva seu nome. O relatório final da comissão será divulgado na próxima quarta-feira.
 
Respondendo a perguntas de dois membros do grupo, a psicanalista Maria Rita Kehl e o sociólogo Paulo Sérgio Pinheiro, Lula falou por cerca de uma hora. Ele falou basicamente sobre dois momentos: as greves que comandou no ABC Paulista no fim dos anos 1970 e a vez em que foi preso, em 1980.
 
Entre 19 de abril e 20 de maio daquele ano, o então líder sindical ficou preso na sede do Dops (Departamento de Ordem Política e Social) após a Justiça considerar que o movimento comandado por ele era ilegal - em 11 de maio, ele saiu temporariamente para participar do velório da mãe, Eurídice, morta por um câncer.
 
No ano seguinte, foi condenado pela Justiça Militar a três anos e seis meses de detenção por incitação à desordem coletiva, mas a sentença acabou anulada em 1982. "Os militares cometeram a burrice de me prender", disse o ex-presidente aos membros da CNV.
 
Segundo Pinheiro, que acompanhou o depoimento, Lula disse que não chegou a ser interrogado no período — respondeu perguntas apenas por escrito — e não sofreu violência física. "A fala de Lula foi muito interessante porque revelou detalhes que não se sabia", disse o sociólogo.
 
Um vídeo com a íntegra do depoimento será disponibilizado na internet nos próximos dias.
 
Presidentes
 
Na semana passada, o também ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1994-2002) falou à CNV sobre a perseguição que sofreu no período militar.
 
"Estão servindo caviar, mas é amargo, porque o exílio é o exílio. É amargo porque você vive a maior parte do tempo imaginando o que está acontecendo no seu país e na expectativa de que tudo vai mudar", disse.
 
A ideia de fazer com que os depoimentos de Lula e FHC fossem os últimos prestados ocorreu, segundo Pinheiro, para ressaltar o apoio que ambos deram à criação da comissão em seus respectivos mandatos.
 
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