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19/12/2016 - 05h25
Maersk vai oferecer serviços completos
Fonte: Valor Econômico


O conglomerado dinamarquês AP Moller- Maersk pretende tornar-se uma loja de serviços completos para o transporte de contêineres, similar aos modelos da FedEx e da UPS. O plano é valer-se das áreas de transporte e de logística como motor de crescimento nesse novo segmento, para compensar o impacto do desmembramento de suas atividades com fontes de energia.
O executivo-chefe da Maersk, Soren Skou, disse ontem ao "Financial Times" que o grupo vai empenhar-se em vender muito mais do que apenas seu principal produto atual, de remessa de contêineres.
A ideia é oferecer toda uma gama de serviços para os clientes da Maersk, como liberação alfandegária, seguro de cargas e transporte de mercadorias até os portos via caminhões, acrescentou o executivo.
"Isso significa que precisamos ser capazes de fornecer um serviço que seja mais de ponta a ponta para nossos clientes, efetivamente tornando mais simples para que eles remetam algo de um lado para o outro do mundo, dando-lhes controle e transparência", afirmou o executivo.
O grupo dinamarquês está em meio a um dos maiores desmembramentos empresariais do mundo nos últimos anos. Vai separar-se de sua unidade de energia, fonte de 25% da receita e de 40% do lucro em 2015, para direcionar seu foco à Maersk Line, maior linha de transporte naval de contêineres do mundo.
A meta da companhia é elevar em 2 pontos percentuais o retorno sobre o capital investido - que nos últimos cinco anos girou em torno a 7% em média, por meio de uma maior economia de custos entre as operações da Maersk Line e as de uma série de unidades menores, como a administradora de portos APM Terminals e a empresa especializada em logística e cadeias de abastecimento Damco.
Uma das vantagens de imitar as concorrentes FedEx e a UPS seria dar mais estabilidade a seu negócio de transporte naval de contêineres, conhecido pelas grandes oscilações nos fretes.
Neste ano, os fretes caíram para seus menores patamares na história. "O que ficaríamos satisfeitos em ver é uma maior estabilidade nos preços, não necessariamente preços maiores", afirmou Skou.
O executivo acrescentou que a Maersk vai compensar a receita perdida decorrente da separação da unidade de energia - que inclui a produção de petróleo, sondas de perfuração e petroleiros - por meio de aquisições e de crescimento "orgânico" em sua unidade de transporte.
A Maersk anunciou planos de comprar a Hamburg Süd, a sétima maior linha de transporte de contêineres do mundo, uma transação que ajudaria a ganhar o equivalente a aproximadamente 65% da receita gerada pela unidade de energia.
No "dia do investidor" da Maersk, promovido ontem, o conglomerado dinamarquês destacou o comprometimento em manter sua classificação de investimento não especulativo, em meio ao receio de alguns investidores e agências de que o novo rumo poderia levar a um rebaixamento de sua nota de risco de crédito.
Skou chegou a indicar que a Maersk poderia fica com sua unidade de energia por um prazo maior do que os dois anos que se havia dado, caso isso ajude a proteger sua nota de crédito.
"Enquanto estivermos juntos como um grupo, temos maior capacidade para manter um rating de investimento não especulativo", acrescentou.