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06/08/2015 - 05h33

Maior parte dos brasileiros não planeja aposentadoria; confira dicas

Fonte: Folha de S. Paulo

 
O brasileiro não planeja a aposentadoria. Segundo levantamento do SPC Brasil, 57% dos consumidores não se preparam financeiramente para essa fase. Desse universo, 17% pretendem depender do valor pago pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) na terceira idade. Os dados são de pesquisa realizada com 662 entrevistados nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal.
 
Para Thiago Alvarez, sócio do site de finanças pessoais GuiaBolso, o resultado preocupa, principalmente no que diz respeito a quem pretende depender do INSS. Como o valor da aposentadoria geralmente é menor que o último salário, muitas pessoas podem ter dificuldade para manter o padrão de vida.
 
"Aí a única coisa que resta é cortar gastos. Ou essas pessoas correm o risco de encarar o endividamento", ressalta. Para evitar surpresas, o planejamento financeiro é fundamental. "É preciso ter uma reserva financeira separada da familiar. Se ficar no mesmo bolo, o consumidor pode ficar tentado a tirar o dinheiro do bolo para comprar um carro ou a gastar", afirma Marcela Kawauti, economista-chefe do SPC Brasil.
 
Uma dica é colocar o dinheiro em aplicações nas quais seja mais difícil resgatar o montante, como o Tesouro Direto ou a previdência privada. Esses investimentos também são interessantes porque podem ter aportes programados. "Tem que ter disciplina. Juntar R$ 50 ao mês aos 20 anos faz uma grande diferença depois de 40 anos", ressalta Kawauti.
 
No Tesouro Direto, é preciso tomar cuidado na escolha do título público. Como o foco é longo prazo, o investidor pode optar por um papel do tipo Tesouro IPCA mais juros semestrais, que paga uma taxa prefixada e a inflação. Há alternativas com vencimento até 2050.
 
Na previdência privada, as atenções devem se votar às taxas, que podem corroer até 30% dos ganhos. Quanto maior for o montante aplicado, menor deve ser a taxa cobrada.

 
RENDA VARIÁVEL
 
No início da fase de acumulação vale também ter investimentos em Bolsa, pois a chance de recuperar um eventual prejuízo no mercado acionário é maior.
 
No entanto, se o investidor estiver perto de se aposentar, deve deixar essa ideia de lado. "O mais lógico é ter investimentos em aplicações seguras e de alta liquidez. Se o investidor pegar a Bolsa em uma situação ruim, pode ter perdas e comprometer sua aposentadoria", afirma o consultor financeiro André Massaro.
 
A poupança, que no primeiro semestre do ano perdeu para a inflação — rendeu 3,70%, contra IPCA de 6,17% —, é recomendada apenas pela facilidade de acesso. No entanto, o ideal é deixar na caderneta apenas uma reserva de emergência. A maior parte do dinheiro deve ser aplicada em produtos mais rentáveis, como títulos públicos, CDBs (Certificados de Depósitos Bancários) e LCIs ou LCAs (Letras de Crédito Imobiliário ou do Agronegócio).
 
As LCI e LCA são títulos emitidos por instituições financeiras e que costumam remunerar um percentual do CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro, taxa de juros nos empréstimos entre bancos). A vantagem desses produtos é a isenção de Imposto de Renda. No entanto, o dinheiro precisa ficar aplicado até o vencimento do título.
 
DEZ DICAS PARA SE PLANEJAR
 
1. Não se contente com menos
 
Quando o assunto é privação de consumo, sempre ouvimos que ªvida de aposentado não é fácilº, o que leva a certo conformismo. A estabilidade financeira, porém, é possível e depende mais de você do que imagina.
 
2. Não dependa apenas do INSS
 
Com a tendência de aumento da expectativa de vida do brasileiro e outros problemas relacionados ao cenário econômico do país, ficou mais arriscado contar apenas com a previdência social.
 
3. Pague o INSS mesmo quando estiver sem trabalho ou na informalidade
 
Não deixe ªburacosº na sua contribuição. O tempo sem pagar retarda a conquista da sua aposentadoria formal.
 
4. Poupar é possível
 
Guardar dinheiro não está necessariamente relacionado com sobras no orçamento, mas sim com projetos maiores como a aposentadoria. Veja seus gastos com automóvel, roupas, eletrônicos, alimentação etc.; você descobrirá onde fazer cortes.
 
5. Entre 80 e 100% de renda sobre o último salário
 
Quanto mais próximo o valor da aposentadoria do último salário recebido na fase ativa, menos cortes serão necessários para manter o mesmo padrão de vida. Portanto, considere esses cálculos para planejar quando e como se aposentar.
 
6. Nunca é cedo, mas também nunca é tarde
 
Não ter começado cedo um planejamento financeiro não deve extinguir o sonho da aposentadoria. Para isso, economize mais e por mais tempo, o que pode implicar em manter uma atividade profissional mesmo depois de ter obtido a aposentadoria formal.
 
7. Busque algo motivador para seguir trabalhando
 
Se você precisa adiar a aposentadoria, resgate um sonho profissional que ficou para trás: inicie uma segunda carreira ou empreenda para complementar a renda. Se as condições são favoráveis, por que parar? É você no comando!
 
8. Calcular as despesas que a aposentadoria deve contemplar
 
Além dos custos fixos com moradia, alimentação, água, luz, gás, despesas médicas e impostos, inclua na renda da aposentadoria gastos com lazer e atividades que promovam qualidade de vida, como um curso de artes ou de idiomas, por exemplo.
 
9. Mais gastos com saúde
 
Quem segue com o plano de saúde coletivo da empresa deve se preparar para pagar o valor integral na aposentadoria, pois os subsídios oferecidos são retirados, o que encarece a mensalidade. Além disso, a tendência é o consumo contínuo de mais medicamentos. Prepare-se para isso.
 
10.Caixa para eventos inesperados
 
Uma vez aposentado, é ideal que se mantenha uma quantia separada para eventualidades que não estejam previstas no orçamento mensal. Um convite para uma viagem de última hora ou a troca de um carro também podem encontrar recursos no caixa voltado aos eventos inesperados. 
 
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