Notícias

26/08/2015 - 10h03

Mais de 90% dos brasileiros reduziram orçamento doméstico por conta da crise

Fonte: Época 

Pesquisa de ÉPOCA e ReclameAqui coletou mais de 35 mil respostas de pessoas que se sentem afetadas pelo mau momento da economia do país

 
Não dá para fugir da crise econômica que afeta o bolso do brasileiro. Mais de 90% dos brasileiros se viram obrigados a reduzir o orçamento domésticos, segundo pesquisa realizada por ÉPOCA e ReclameAqui. Cerca de 35 mil pessoas responderam ao questionário. Em comparação com o ano passado, o que se espera para o segundo semestre de 2015 é uma situação financeira pior ou muito pior, de acordo com 43% deles. Para outros 24%, nada muda. E ainda há quem seja otimista, pois pelo menos 25% espera uma situação melhor.
 
Fernanda Contessotto Veroneze, de 28 anos, é fisioterapeuta e mora com o marido e filhos de 4 e 2 anos de idade. Para ela, o espanto maior é a ida ao supermercado. “Começamos a perceber que o dinheiro dava para comprar cada vez menos fraldas e leite”, diz. Antes, a família podia arcar com 15 latas do alimento. A soma foi diminuindo para 12, 10 e, atualmente, levam apenas oito por mês.
 
A fisioterapeuta não está sozinha na empreitada. Além dela, 76,64% dos entrevistados acreditam que, nos últimos 12 meses, o poder de compra diminuiu. Não é mera impressão. "A inflação acaba com o poder de compra da população, principalmente de quem tem baixa renda", afirma Annalisa Blando Dal Zotto, planejadora financeira e fundadora da Par Mais, empresa de planejamento financeiro.
 
Mais de 11 mil que responderam à pesquisa recebem de 1 a 2 salários mínimos, ou seja, de R$ 788 até R$ 1.576. Para a especialista, as Classes C, D e E, são as que mais sofrem, pois ficam completamente vulneráveis. “As contas de energia elétrica e os gastos com a alimentação são muito impactantes." Para enfrentar imprevistos, é importante as famílias terem uma reserva de segurança no valor equivalente a três meses da despesa da família.
 
Cerca de 56% dos entrevistados afirmaram que sentiram o aumento dos juros ao fazer as compras, assim como Fernanda. “Pesquisamos muito antes de comprar alguma coisa. Até pensamos em trocar o carro no começo do ano, mas desisti.” Pelo menos 11 mil participantes das pesquisa deixaram de comprar um eletrodoméstico ou eletrônico.
 
Segundo o levantamento, o desemprego afetou 35% dos brasileiros nos últimos 90 dias. Na família da fisioterapeuta, o clima também é de instabilidade. “Meu marido trabalha na mesma empresa há quase 10 anos. 2015 está sendo bem estressante pela instabilidade da companhia, que manda funcionários embora direto. Foram criadas listas de demissões a cada semana”, desabafa. 
 
O conselho para o contexto atual é conter os gastos. “O brasileiro deve evitar fazer muitas parcelas, pois isso provoca endividamento e a taxa de juros está estratosfericamente alta. Se for parcelar, prefira em poucas vezes. Fuja da fatura do cartão de crédito atrasada, dos juros e limite do cheque especial e invista em negociar o pagamento à vista. “É importante levar a vida mais enxuta possível e poupar dinheiro para comprar qualquer produto. Na hora de ir ao mercado, o ideal é não levar estoque de comida para casa e não acumular o que pode estragar. É ter uma estrutura que satisfaça, mas que diminua as despesas”, aconselha a planejadora financeira. Caso contrário, as dívidas continuarão a representar de 50% a 75% do salário, assim como reflete no bolso de mais de 52% dos cidadãos.
 
Para 50% dos brasileiros, a crise mundial atrapalha o país, mas não é a maior causa do cenário nacional ruim. "Houve muita demanda sem oferta suficiente. Com pouca oferta, os preços sobem. Para conter a inflação, também é necessário aumentar a taxa de juros. Foi um conjunto de fatores que atrapalhou muito, resultando em inflação provocada por excesso de crédito e gastos do governo", diz Annalisa. 83% acreditam que os políticos eleitos, na maioria, não estão fazendo o que deveriam para combater a crise. 

 
Imprimir Indique Comente

« Voltar

Galeria de
Imagens

Ver todas