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22/10/2014 - 12h37
Mantega diz que inflação alta causa prejuízo a trabalhador que tem dinheiro no FGTS
Fonte: Record News
Ministro da Fazenda disse que sistema de remuneração foi feito para cenário de inflação menor

Ministro da Fazenda disse que sistema de remuneração foi feito para cenário de inflação menor

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, admitiu nesta terça-feira que o trabalhador que tem recursos no FGTS está tendo prejuízo por conta do alto índice de inflação. A afirmação foi feita em entrevista ao Jornal da Record News, que foi ao ar na noite de ontem. Durante a conversa com o jornalista, Mantega detalhou que o rendimento do Fundo é de 3% mais a TR (Taxa de Referência, que é pouco mais de zero). Com a inflação acima de 6% – em setembro o IPCA fechou em 6,75% – o trabalhador "está perdendo".
– Ele (FGTS) foi feito para uma inflação menor – declarou Mantega, para completar:
– Essa regra (da rentabilidade) veio lá de trás. Quando a inflação é um pouco maior, perde. Mas quando a inflação vai para baixo, aí o fundo não perde.
Perguntado sobre se a poupança também está dando prejuízo, Mantega disse não "saber exatamente quanto está rendendo a caderneta". O entrevistador o ajudou: a remuneração é de 6,17% mais TR. Então o ministro disse que "de modo geral, ela rende acima da inflação". Pressionado pelo jornalista, disse que "pode ter um mês, dois meses em que ela vem abaixo".
– Mas ao longo do ano, é acima da inflação – frisou.
PETROBRAS DECIDIRA SOBRE AUMENTO DA GASOLINA
Na condição de presidente do Conselho Administrativo da Petrobras, Mantega também voltou a falar que o aumento do preço da gasolina será definido pela diretoria da executiva da empresa. Ele descartou que o reajuste esteja sendo "empurrado com a barriga" para que não haja impacto na inflação deste ano.
– Até porque o preço da gasolina não está mais defasado em termos do preço do Golfo do México, que é nossa referência. Hoje, o preço da gasolina do Brasil já está maior que o do Golfo do México. Mas a diretoria vai resolver quando fará um aumento – disse, salientando que "Todo ano costuma ter aumento".
Mantega também disse que a estatal não "é capaz de se autofinanciar" e explicou que isso ocorre porque trata-se de uma empresa "de capital intensivo".
– Em um ano, o investimento foi de US$ 41 bilhões. É muito investimento e ela (Petrobras) precisa se financiar. Ou ela pede empréstimo ou ela aumenta capital, como já fez no passado – afirmou.
– Mas essa necessidade tem diminuído – completou.
Sobre o déficit na balança comercial da companhia, Mantega garantiu que já está sendo revertido. Ele lembrou que a empresa passou a ser mais importadora do que exportadora há dois anos. Mas disse que com "o aumento de 2% 3% mensal da produção" de óleo, a situação já está se invertendo.
Com o afastamento do governo já anunciado mesmo e Dilma Rousseff for reeleita, o jornalista encerrou a entrevista perguntando o que Mantega fará no próximo ano. Com bom humor, disse que está "pensando em trabalhar em jornalismo". Na sequência emendou que ainda está "trabalhando intensamente" no governo e não quis revelar seus planos.
– Novembro e dezembro são anos (sic) importantes, fazemos reformas o tempo inteiro e reajustes importantes – disse.
MACROECONOMIA
Durante a entrevista, que durou quase 30 minutos, Mantega também foi questionado sobre o crescimento do país. Ele voltou a afirmar que a estimativa oficial para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano é de 0,9%. Também detalhou com otimismo a recuperação que vê o país viver neste segundo semestre.
– No segundo semestre, o crédito está aumentando, produção de automóveis está aumentando, supermercados estão voltando a vender mais. Então, neste momento, no segundo semestre, está em torno de 2% (o crescimento) – estimou.
Apesar disso, minutos depois o ministro afirmou que "há falta de demanda, porque há pouco crédito para consumidor". Segundo Mantega, há "muito crédito para investimento". Na contramão das medidas anunciadas (como a redução do depósito compulsório pelo bancos) recentemente pelo Banco Central para estimular a concessão de empréstimos, ele disse que "como o BC está combatendo a inflação, está fazendo uma política monetária apertada, e com isso liberou pouco crédito".
Ele voltou a negar que o Brasil esteja passando por uma recessão técnica, como afirmam alguns economistas. O ministro disse que o país "teve taxa negativa no segundo trimestre e por isso revisou primeiro trimestre". E garantiu que teremos "taxa positiva no terceiro e que, dependendo de quanto" vai haver uma revisão número do primeiro trimestre, "de modo que não está em recessão".
Em linha com o discurso do PT, Mantega disse que o mais "importante é que mantemos a geração de emprego".