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20/03/2017 - 00h47

Mercado de trabalho se recupera na região e número de demissões tem queda

Fonte: A Tribuna On-line / Carolina Iglesias
 
Mesmo longe do esperado, resultado do Caged em fevereiro já sinaliza para uma melhora no setor econômico


 
Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) de fevereiro, divulgados última na sexta-feira (17) pelo Ministério do Trabalho, apontam uma importante mudança no cenário econômico da Baixada Santista. Mesmo com um resultado ainda longe do esperado, já é possível verificar uma importante recuperação no mercado de trabalho frente ao mesmo período em 2016. 
 
No País, foram criadas 35.612 novas vagas de emprego formal no mês de fevereiro. Esse foi o primeiro resultado positivo após 22 meses seguidos de retração na economia. Na Baixada Santista, o número de desligamentos ainda foi superior ao de contratações neste período. Porém, na comparação com fevereiro de 2016 foi possível verificar uma significativa melhora.
 
Em fevereiro do ano passado, a região contabilizava um saldo negativo de 4.809 postos de trabalho encerrados. Já este ano, o número de desligamentos no período foi de 900 vagas. E o pior resultado foi registrado em Guarujá, onde o número de demissões chegou a 402 postos. 
 
Na mesma ocasião em 2016 era Cubatão o município responsável por tantos desligamentos no emprego formal. Na época, 2.185 vagas haviam sido encerradas. Ainda conforme o balanço do Ministério do Trabalho, apenas duas cidades tiveram desempenho positivo no mês de fevereiro: São Vicente (36 vagas) e Peruíbe (8). 
 
Recuperação
 
Na avaliação do economista e professor universitário da Fatec de Praia Grande, João Carlos Gomes, o resultado positivo está atrelado a três setores da economia que começam a dar sinais de recuperação: a construção civil e as áreas de serviços e comércio. 
 
“De imediato, o público na faixa etária dos 19 aos 30 anos, com Ensino Médio completo, começa a ser absorvido pelo mercado de trabalho. Eles serão os principais beneficiados, neste momento, com a recuperação da economia em nossa região, que vagarosamente, volta a empregar, principalmente nestas três áreas”. 
 
Hoje, segundo Gomes, a construção civil, um dos setores que também vinha sofrendo com a retração nos últimos meses, poderá ser o responsável por alavancar a economia na Baixada Santista. “Ainda que vagarosamente, este setor começa a recuperar um conjunto de obras de prédios que estavam em standby. É uma área que emprega muito e que exige uma mão de obra semiqualificada, de um público que estava desempregado e precisa trabalhar”, comenta. 
 
Já os setores de serviços e comércio, de acordo com o economista, também começam a dar sinais de recuperação, principalmente em razão das medidas de incentivo com o uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), que prometem uma injeção de R$ 48,2 bilhões na economia, um impacto positivo de cerca de 0,7 ponto percentual no Produto Interno Bruto (PIB) de 2017, conforme dados da Secretaria de Planejamento e Assuntos Econômicos (Seplan) do Ministério do Planejamento. 
 
“Mesmo que estes setores ainda não estejam contratando, o que percebo é que eles também não estão mais reduzindo o número de postos. A medida em que o desemprego começa a desacelerar, o consumo volta a crescer e as contas inativas do FGTS terão um importante papel neste aspecto”. 
 
Ainda na avaliação do economista, mesmo com a melhora nestes setores, ainda é cedo para vislumbrar uma melhora do cenário industrial da região. “No caso da siderurgia, ponto chave de Cubatão, a desaceleração da economia está vinculada à globalização. A China tem um importante papel de liderança na indústria do aço e por isso, o mercado local acabou perdendo competitividade na produção, o que provocou tanto desemprego no setor”, afirma Gomes. 
 
“Nossa região é muito sensível aos movimentos da economia brasileira, mais especificamente à economia de São Paulo. Quando elas começam a dar sinais de crescimento, mesmo que ainda tímidos, isso acaba refletindo em alguns setores. Neste caso, os setores de serviço e comércio e não a indústria. Diferente de outras regiões, que atuam no segmento de manufatura, estamos vinculados à indústria de base, que ainda não dá sinais de recuperação para este ano”. 
 
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