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17/07/2018 - 03h21

Ministério do Trabalho é invadido e amanhece com salas reviradas; 1º andar é interditado

Fonte: Extra
 
Caso ocorreu em setor destinado ao seguro-desemprego. Câmera de segurança flagrou crime.

 
Servidores do Ministério do Trabalho encontraram diversas salas do órgão reviradas ao chegar para trabalhar na manhã desta segunda-feira (16). Documentos oficiais estavam atirados no chão.
 
A assessoria de imprensa do ministério informou ao G1 que duas salas do setores destinados ao seguro-desemprego e às carteiras de trabalho foram invadidas. "Uma das salas teve armários abertos; na outra, documentos e objetos foram espalhados pelo chão e sobre móveis", apontou a pasta em nota. O órgão, no entanto, não soube dizer o que foi levado.
 
Segundo o Ministério do Trabalho, a invasão foi registrada por câmeras de segurança do prédio. As imagens serão encaminhadas para a perícia da Polícia Federal.
 
Até a última atualização desta reportagem, o órgão não soube informar o horário em que ocorreu a invasão. As imagens das câmeras mostram um homem forçando a porta de uma sala às 23h49 deste domingo (15).
 
Todo o primeiro andar do ministério foi isolado pela segurança do órgão. A PF foi acionada e chegou ao local às 9h50.
 
Parte da área externa do térreo também foi interditada no local onde vigilantes ouvidos pelo G1 disseram acreditar que a invasão ocorreu.
 
Por causa do isolamento, funcionários tiveram de deixar o primeiro andar e foram levados para o térreo do ministério. O expediente, porém, não foi alterado.
 
Por volta das 10h, agentes da Polícia Federal começaram a fazer a perícia da área isolada pelos seguranças do ministério e colheram impressões digitais.
 
A Superintendência da Polícia Federal em Brasília instaurou inquérito para apurar o caso. As investigações terão reforço da equipe que apura as irregularidades na Operação Espúrio, que ficará responsável por acompanhar todos os passos da investigação e auxiliar os trabalhos.
 
Registro Espúrio
 
O Ministério do Trabalho é alvo de uma investigação da Polícia Federal. Em 30 de junho, a PF deflagrou a operação Registro Espúrio, a fim de desarticular suposta organização criminosa integrada por políticos e servidores que teria cometido fraudes na concessão de registros de sindicatos pelo Ministério do Trabalho.
 
Segundo as investigações da Polícia Federal,
 
• os registros de entidades sindicais no ministério eram obtidos mediante pagamento de vantagens indevidas;
 
• não era respeitada a ordem de chegada dos pedidos ao ministério;
 
• a prioridade era dada a pedidos intermediados por políticos;
 
• a operação apontou um "loteamento" de cargos do Ministério do Trabalho entre os partidos PTB e Solidariedade.
 
Na semana seguinte, o ministro Helton Yomura foi afastado do cargo por decisão de Edson Fachin, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF). Em nota, a defesa afirmou que Yomura não cometeu nenhum ato ilícito e que "nega veementemente qualquer imputação de crime ou irregularidade". No mesmo dia, ele pediu demissão do cargo.
 
O substituto de Yomura, Caio Vieira de Mello, tomou posse no ministério na última terça-feira (10). Na cerimônia, afirmou que vai administrar o ministério "tecnicamente", e não "politicamente". Ainda segundo ministro, "se for necessário, será feita" uma limpa no ministério.
 
A emissão de registros sindicais está suspensa pelo Ministério do Trabalho até outubro. A decisão do ministro Caio Vieira de Mello foi publicada no "Diário Oficial da União" na última quinta-feira (12).
 
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