Notícias

19/04/2013 - 02h07

Ministro nega ordem para monitorar portuários em greve

Fonte: Agência Câmara



O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, José Elito Siqueira, negou ter recebido ordem do governo para monitorar portuários em greve. Ele prestou esclarecimentos, nesta quarta-feira (17), em audiência conjunta da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência e da Comissão de Trabalho da Câmara.
 
Segundo o ministro, o sistema nacional de inteligência monitora rotineiramente 21 portos do país. No caso específico dos portuários, José Elito informou que um memorando foi enviado no mês passado a 15 estados solicitando informações sobre a necessidade de providências caso a greve, já noticiada na imprensa, se confirmasse. Ele negou, entretanto, que tenha havido a investigação de pessoas ou escutas telefônicas, mas apenas o acompanhamento do tema.
 
O ministro explicou que o Sistema Nacional de Segurança tem, entre suas finalidades, de fornecer subsídios à presidente da República em assuntos de interesse nacional e que os órgãos de inteligência devem sempre se antecipar a problemas que podem causar riscos institucionais ao País. Para o presidente da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, deputado Nelson Pelegrino, do PT da Bahia, a audiência contribuiu para esclarecer a atuação da Abin, a Agência Brasileira de Inteligência.
 
"O ministro Elito foi elucidativo quando deixou bem claro que a Abin não transgrediu, não ultrapassou sua competência nos episódios. Foi uma missão determinada, de monitoramento normal, para subsidiar a presidente da República, para saber como estava a atividade portuária que é essencial para a economia do país e qualquer estado soberano, qualquer órgão de estado, de governo, precisa dessas informações, até para saber o que pode acontecer para adotar medidas."
 
Já o deputado Paulo Pereira da Silva, do PDT de São Paulo, não ficou convencido com as explicações. Ele acredita estar sendo investigado, porque é presidente da Força Sindical e uma das lideranças na negociação dos portuários em torno da medida provisória dos portos. Paulo Pereira da Silva disse que os sindicalistas estão atentos e não descartam a possibilidade de denunciar o governo brasileiro à OIT, Organização Internacional do Trabalho.
 
"Independente disso, nós temos um compromisso com os trabalhadores e vamos continuar defendendo os trabalhadores. Eles vão fazer o lado deles e nós vamos fazer o nosso. Vamos ficar vigilantes para verificar se isso é verdade, porque se isso for verdade, nós teremos que denunciar o país na OIT. Mas eu acho que essa comissão aqui hoje, de certa maneira, põe um pouco de receio nessa turma que vive investigando as pessoas."
 
O presidente da Abin, Wilson Roberto Treza, afirmou jamais ter recebido pedido de investigação político ou partidário, mesmo escutas telefônicas, principalmente para monitorar o deputado Paulo Pereira da Silva que, além de sindicalista, é detentor de mandato parlamentar.
 
Imprimir Indique Comente

« Voltar

Galeria de
Imagens

Ver todas