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19/02/2013 - 07h37

MP 595 causa seus primeiros efeitos, substituindo portuários de Santos por trabalhadores chineses

Fonte: AssCom Sindogeesp



Responsáveis diretos pelas operações portuárias utilizando os três portêineres e 11 transtêineres que chegaram ao cais santista trazidos pelo navio Zhen Hua, os profissionais do Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras (Sindogeesp) marcaram presença na manifestação que culminou com a ocupação do navio na madrugada desta segunda-feira. Ao lado dos operários de capatazia, trabalhadores de bloco, rodoviários e principalmente estivadores, estes em maior número, eles também protestaram e reivindicaram os direitos dos trabalhadores.
 
Para o vice-presidente do Sindogeesp, Paulo Antonio da Rocha, a ação dos portuários resulta da posição adotada pela empresa em não querer negociar com a categoria. "Tudo isso poderia ter sido evitado se a direção da Embraport fosse menos intransigente em atender aos inúmeros ofícios encaminhados pelo Sindogeesp e pelas demais entidades laborais visando o início das tratativas para a utilização da mão de obra do Ogmo (Órgão Gestor de Mão de Obra)".
 
Segundo o dirigente, desde setembro o Sindogeesp vem encaminhando expedientes para a Embraport, todos sem resposta. "Há tempos estamos insistindo e tentando abrir um canal de comunicação para discutir e viabilizar um instrumento normativo regrando a relação capital e trabalho". Para ele, a postura "um pouco mais radical" dos portuários verificada nesta segunda-feira decorreu da ausência de diálogo com a direção do novo terminal. "Quer fazer diferente dos demais terminais portuários que atuam nos termos da legislação".
 
A representação da atividade desempenhada pelos operadores dos novos equipamentos também é abordada por Paulo da Rocha. "Não adianta a empresa querer negociar com outro sindicato cujos trabalhadores são alheios ao Ogmo de Santos, uma vez que a representatividade é legitimada ao Sindogeesp, por lei e pelos tribunais do país". Embraport e Settaport estariam em processo de negociação para a utilização dos associados daquela entidade profissional em várias funções, fato que vem desagradando as lideranças dos nove sindicatos portuários.
 
De acordo com Paulo da Rocha, a tentativa da Embraport em descarregar os equipamentos vindos da China anuncia os efeitos da Medida Provisória. O uso de mão de obra alheia ao sistema portuário é uma dos principais reclamações dos portuários, que embarcam nesta terça-feira para Brasília para participar de plenária nacional envolvendo as três federações da categoria. "Foi um claro exemplo do desemprego e caos social que a MP poderá causar, sobretudo nas cidades portuárias, como Santos". A operação estava prevista para ser realizada pela tripulação do navio, composta por trabalhadores chineses. 
 
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