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05/04/2021 - 08h03

Mulheres já são maioria em cursos portuários

Fonte: A Tribuna On-line
 
Participação feminina chega a 70% em classes iniciadas neste ano
 

 
Não é segredo que as mulheres vêm conquistando espaços em setores predominantemente masculinos. No Porto de Santos, essa tendência se comprova a cada ano, inclusive na formação da nova geração de profissionais. Na Faculdade de Tecnologia (Fatec) Baixada Santista – Rubens Lara, por exemplo, na turma que, neste semestre, começou o primeiro ano do curso de Gestão Portuária, elas já chegam a 70% dos alunos.
 
Para se ter uma ideia do aumento da participação feminina, quando o curso foi aberto, em 2014, o percentual de alunas variava entre 10% e 20%. Os dados são do Centro Paula Souza, autarquia do Governo do Estado responsável pelas Fatecs.
 
Juliana Luiz Pereira é uma dessas novas alunas. Com uma forte ligação com o setor marítimo, filha e irmã de portuários, a estudante vê no complexo santista uma oportunidade de seguir uma nova carreira.
 
Ela tem 33 anos. E dez deles foram dedicados a trabalhar em cruzeiros marítimos, após um intercâmbio nos Estados Unidos. No navio, sua última função foi de gerente de vendas, o que a fez tomar gosto pela área da Logística.
 
“(Com a carga) embarcada, as coisas são muito diferentes. O caminhão não chega na porta para entregar a mercadoria. Além disso, é preciso entender a legislação de países por onde passamos, os trâmites e toda a logística envolvida nesse processo”, explicou a estudante de Gestão Portuária.
 
Segundo Juliana, a pandemia foi “o empurrãozinho que faltava” para desembarcar. Ela, que chegou a ficar 11 meses fora de casa, voltou a Santos em julho do ano passado e, pouco tempo depois, prestou o vestibular para Gestão Portuária. Agora, concilia o tempo com as aulas online do curso de Logística, que ela já fazia quando estava embarcada.
 
“Meu foco é a especialização para entrar no mercado de trabalho. Vejo que as gerações mais antigas ainda são muito machistas, mas isso está mudando aos poucos e, hoje, somos muitas. Vejo na sala de aula”, afirmou.
 
Logística
 
O mesmo crescimento feminino é observado no curso de Logística da Fatec Rubens Lara. Segundo dados do Centro Paula Souza, no primeiro semestre de 2018, as alunas eram 43,8%. Dois anos depois, a participação feminina cresceu para 65%. Já neste ano, as mulheres representam 68,8% dos estudantes que iniciam o programa de ensino.
 
Beatriz de Fátima Ibiapino, de 27 anos, é uma dessas alunas. Hoje, ela está no sexto semestre do curso e já faz estágio em um terminal do cais santista.
 
“Antigamente, o trabalho no Porto era visto como braçal, coisa de homem. Hoje, você enxerga mulheres conquistando espaços, principalmente nos cargos de gestão, onde se exige qualificação e não tanta força como nas funções de base”, afirmou.
 
A identificação de Beatriz com a área portuária surgiu após um curso técnico. “Aí, eu me apaixonei pela área e descobri grandes oportunidades para o meu futuro”.
 
Desafio é chegar a cargos de gestão
 
Para a psicóloga e especialista em Recursos Humanos Rita Zaher, hoje, há um maior entendimento sobre igualdade no mercado de trabalho. Mas o maior desafio das mulheres é garantir cargos de gestão.
 
“A mulher ainda sofre muito por ser mais delicada, o que pode parecer erroneamente que sua liderança seria mais frágil. Pelo contrário, existem mulheres em cargos de liderança que conseguem resolver com diplomacia, sem agressividade e de forma mais humanizada as situações enfrentadas, influenciando positivamente a equipe”, afirmou.
 
Segundo o especialista em RH Fabio Sartori, esse aumento da procura de mulheres por funções no setor portuário se deve à influência da principal atividade em nossa cidade, aliada à tecnologia que avança a cada dia mais no ambiente logístico e no Porto de Santos. “Esse movimento faz diminuir o trabalho mais braçal para uma atuação mais voltada a controle e operação de forma mais automatizadas”, explicou. 
 
Para Sartori, com esse movimento, cresce a possibilidade de mais mulheres na operação. “E isso é muito bom para a nossa cidade, para as mulheres e para as empresas, pois precisamos da inteligência feminina aliada a operação do negócio”, destacou o especialista.
 
Vantagens
 
Rita Zaher cita, ainda, as vantagens do trabalho feminino. “Há relativamente pouco tempo, alguns portos já contratam operadoras de equipamentos (guindastes e carretas), líderes de armazéns, vistoriadoras, conferentes de cargas, técnicas de segurança do trabalho. O resultado destas contratações tem sido positivos, porque é percebido que as mulheres têm um refinamento que preserva o equipamento e que o formato cuidadoso de trabalho diminui os índices de quebras e de acidentes. Além disso, é possível perceber o poder da liderança feminina”.
 
De acordo com Sartori, muitas mulheres não buscam o setor por desconhecimento das atividades e das possibilidades de crescimento profissional, de remuneração e de construção de um projeto de valor.
 
“Ampliar a visão de mercado se faz necessário em um momento de evolução desse setor. E as mulheres são peças fundamentais nesse novo momento”, afirmou Sartori.
 
Já Rita destaca a importância do exemplo de mulheres que já ocupam vagas no Porto. “É muito importante que as empresas olhem para as mulheres com mais amplitude e confiança, percebendo que o mundo está diferente e que o espaço existe para todos. Algumas vezes, o preconceito parte da própria empresa que contrata e, em outros, das próprias pessoas que não se arriscam a participar dos processos porque temem o preconceito. Sendo assim, lá vai um conselho para estimular as empresas a captarem mais mulheres: destacar que a vaga é aberta para ambos os sexos na divulgação”. 
 
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