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04/05/2015 - 03h45

No Dia do Trabalho, Força apoia projeto de terceirização e CUT ameaça greve

Fonte: Agência O Globo 

Central ligada ao PT quer veto de Dilma; Cunha vê perigo em governo contrariar PL apoiado pela base governista

 
As comemorações do 1º de Maio das duas principais centrais sindicais do país foram marcadas pelo embate em relação ao projeto de terceirização (PL 4330). Em São Paulo, onde se concentrou o maior número de trabalhadores em dois grandes atos, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) ameaçou uma greve geral caso a proposta seja aprovada no Congresso Nacional, enquanto a Força Sindical defendeu que a terceirização não fere os direitos trabalhistas.
 
No ato da CUT, realizado no Vale do Anhangabaú, região central da capital paulista, sindicalistas se disseram contra o projeto de lei que trata da terceirização. O PL 4330, que permite a terceirização em todas as atividades da empresa, já foi aprovado pelos deputados e agora será analisado pelo Senado Federal. A ideia da central é realizar uma greve caso o PL seja aprovado.
 
— O ato do 1º de Maio é contra o projeto que prevê a terceirização. É também o primeiro movimento para uma greve geral caso a terceirização seja aprovada no Congresso — disse Vagner Freitas, presidente da CUT.
 
A greve geral seria só um primeiro passo, de acordo com Freitas. A ideia é que a central faça pressão para que a presidente Dilma Rousseff vete o projeto, caso ele seja aprovado no Congresso.

 
O evento em São Paulo teve início com um ato ecumênico e o discurso de lideranças de movimentos sociais. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do evento, defendeu a presidente Dilma Roussef e atacou a tercerização.
 
CRÍTICAS A CUT
 
O desejo da CUT de veto ao projeto foi justamente o alvo de críticas do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB), que participou das comemorações de 1º de Maio organizada pela Força Sindical. Para Cunha, é perigoso para o governo assumir a pauta do PT, uma vez que a presidente é sustentada por uma base partidária.
 
— A presidente da República tem que ter cautela. Ela tem o direito de vetar qualquer proposta, embora a última palavra seja do Congresso. É muito importante que a pauta do partido não seja a do governo. A presidente não é sustentada politicamente somente pelo PT, mas por vários partidos. Todos esses partidos votaram pelo projeto. Passa a ser perigoso quando você assume a pauta do PT — disse.
 
Ainda sobre o projeto de terceirização, Cunha aproveitou para acusar a Central Única dos Trabalhadores (CUT) de politizar o debate.
 
— A CUT teve um papel diferenciado na discussão da terceirização. Usou o PT para fazer um debate equivocado, já que o projeto da terceirização não causa qualquer prejuízo ao trabalhador. Pelo contrário, reconhece direitos — afirmou Cunha.
 
Para o presidente da Câmara, a central usou debate do projeto para proteger a arrecadação sindical.
 
— A CUT politizou esse processo. Ela quis fazer desse projeto da terceirização um embate político que visava única e exclusivamente a arrecadação sindical deles. Quero ver como a CUT vai se comportar no debate do ajuste fiscal e como vai ser o comportamento do PT com a CUT — disse.
 
O deputado federal Paulo Pereira da Silva (SD-SP), o Paulinho da Força, também não poupou críticas à CUT, que realizava seu ato do 1º de Maio na região central da capital paulista.
 
— A CUT montou uma estratégia de pegar alguma coisa para criar dificuldade, fazer política e livrar a cara da (presidente) Dilma (Rousseff) — afirmou Paulinho.
 
Ele disse ainda que o projeto da terceirização é bom e que “só precisa corrigir uns detalhes”, o que será feito no Senado.
 
— Fiz o meu papel e apresentei quatro emendas. Não há racha da base da Força Sindical sobre isso, apenas algumas divergências — afirmou.
 
Antes de discursar, o senador Aécio Neves (PSDB-MG), afirmou que irá discutir, com responsabilidade, o projeto de terceirização.
 
— Nós vamos, no Senado Federal, discutir a terceirização com enorme responsabilidade. De um lado, nós vamos garantir a regulamentação para aqueles que são terceirizados. Mas nós vamos propor também um limite para que as empresas possam terceirizar algumas das suas atividades. Eu acho que o Senado vai aprimorar o projeto — disse o tucano.
 
ARTISTAS E SORTEIOS
 
Até mesmo representantes do governo Dilma estavam presentes no ato da Força Sindical. O ministro do Trabalho, Manoel Dias, participou de encontro com as lideranças políticas antes do início dos discursos para o público. Ele é do PDT, partido do ex-ministro Carlos Lupi, que deu uma declaração ao jornal O Estado de S. Paulo dizendo que o “PT roubou muito”. Questionado sobre a escolha de Manoel para representar o governo no ato da Força, Paulinho afirmou que deve ter sido uma punição.
 
— Mandei o convite para o governo e mandaram ele. Deve ser punição pelo Lupi. Acho que ele deve ser vaiado - afirmou Paulinho.
 
O ato da Força Sindical teve o tema “Crescimento Econômico com Garantia de Direitos e Empregos”. Os presentes concorrem a 19 automóveis, que foram sorteados durante a festa. Alguns artistas também foram convidados para o evento, entre eles Bruno e Marrone, Zezé de Camargo e Luciano, Paula Fernandes, Leonardo, Latino e Inimigos da HP.
 
Os organizadores do evento estimaram que entre 500 mil a um milhão de pessoas passariam pelo local. Já a Polícia Militar não divulgou a quantificação do público. No caso do evento da CUT, segundo a PM, teriam participado cerca de dois mil trabalhadores.

 
Em Recife (PE), a CUT promoveu uma caminhada da Praça Oswaldo Cruz, na Boa Vista, até o Palácio do Campo das Princesas, no bairro de Santo Antônio. A manifestação também foi contra a Lei da Terceirização e em apoio aos professores de diversos estados, incluindo Pernambuco, que estão em greve.
 
— O real motivo do 1º de maio é o trabalhador na rua lutando por seus direitos. Os trabalhadores em educação revindicam um direito já conquistado, que é a Lei do Piso. Além disso, continuamos na luta contra a terceirização, não podemos deixar que essa lei passe no Senado. Esse projeto aumenta o número de terceirizados e não resolve os problemas ja existentes — disse o presidente da Central Única dos Trabalhadores em Pernambuco, Carlos Veras, ao site G1.
 
EM BRASÍLIA, APENAS 200 PESSOAS
 
Na capital federal, a CUT, segundo a Polícia Militar, conseguiu reunir apenas 200 manifestantes na manhã desta sexta-feira. O grupo se reuniu na Torre de TV, na região central da cidade.
 
Assim como no ato de São Paulo, a manifestação centrou na crítica ao projeto de lei 4.330, de 2004, que regulamenta a terceirização e a amplia para a atividade fim das empresas. Havia também no local faixas em defesa da Petrobras.

 
EM PORTO ALEGRE, TRÊS ATOS DISTINTOS
 
O Dia do Trabalhador foi dividido em três atos distintos em Porto Alegre nesta sexta-feira. Pela manhã, o ato da Força Sindical reuniu algumas dezenas e pessoas na procissão de Nossa Senhora do Trabalho, na zona norte de Porto Alegre. A missa campal teve a tradicional bênção das carteiras de trabalho.
 
À tarde, o ato na praça México, também na zona norte, teve atividades sociais, além de recreação com brinquedos infláveis e atividades esportivas a cargo do Exército. Favorável ao projeto da terceirização, a Força Sindical elegeu com bandeiras o fim do fator previdenciário e a correção da tabela do Imposto de Renda, além de juros menores e redução da jornada de trabalho.
 
Animado por bandas de pagode e de reggae, o ato da Central Única dos Trabalhadores (CUT), realizado na Usina do Gasômetro, no centro de Porto Alegre, reuniu cerca de 3 mil pessoas. As faixas e discursos criticaram principalmente a aprovação do projeto de lei 4.330, que estende a terceirização às atividades-fim das empresas. Mas havia faixas também contra a redução da maioridade penal e criticando o “arrocho salarial” do governo do estado.
 
Muitos militantes com bandeiras do PT participaram da manifestação, que teve clima festivo ajudado pelo dia ensolarado e temperatura amena. Entre as estrelas, o ex-governador Olívio Dutra foi quem mais atraiu a atenção dos presentes – ele foi assediado para tirar fotos e dar autógrafos em camisetas e bandeiras. O senador petista Paulo Paim também foi ao ato.
 
O ato da CUT foi engrossado por cerca de 2 mil manifestantes reunidos pela Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB) no largo Zumbi dos Palmares, também no centro da cidade.
 
 
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