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09/03/2016 - 10h45
No dia Internacional da Mulher, Secretaria de Portos e docas ganham Comitê de Gênero
Fonte: AssCom Codesp
Na Codesp, as colaboradoras receberam homenagens


Para marcar a celebração do Dia Internacional da Mulher, comemorado nesta terça-feira (08/03), a Secretaria de Portos (SEP) criou o Comitê de Gênero da SEP e das sete companhias docas: de São Paulo (Codesp), Bahia (Codeba), Ceará (CDC), Espírito Santo (Codesa), Pará (CDP), Rio de Janeiro (CDRJ) e Rio Grande do Norte (Codern). O objetivo é estudar e propor ações que visem à igualdade dos direitos das mulheres com os dos homens. A portaria que institui o Comitê foi publicada hoje no Diário Oficial da União. A iniciativa decorre do papel fundamental que a mulher desenvolve no âmbito civil, político, econômico, social e cultural, além da sua importante atuação nas diferentes áreas do setor portuário.
O comitê tem caráter consultivo e tem ainda a atribuição de promover a articulação entre os setores da SEP e das companhias docas em torno do objetivo proposto, tanto internamente no setor portuário, quanto nos diversos espaços institucionais que tratam das políticas para as mulheres. Composto por 16 integrantes e 16 suplentes da SEP e companhias docas, o grupo também proporá medidas de sensibilização e capacitação sobre o tema para funcionários e dirigentes da Secretaria e das companhias docas, bem como acompanhar e avaliar o que for executado, de acordo com o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM).
O dia Internacional da Mulher também foi marcado por outras atividades. Na Codesp, a data foi comemorada com depoimentos de funcionárias que atuam em profissões predominantemente masculinas e com a palestra “Perfume de Mulher” ministrada pela psicóloga Márcia Atik, além da entrega de flores as suas colaboradoras. O evento, aberto pelo diretor presidente da empresa, Alex Oliva, no Centro de Treinamento da empresa, reuniu cerca de 200 mulheres e contou, também, com a presença dos diretores da empresa Celino Ferreira da Fonseca, de Administração e Finanças, e Antonio de Pádua de Deus Andrade, de Engenharia.
O presidente destacou o papel da mulher no ambiente portuário, afirmando que elas se fazem presentes em todos os momentos e lugares, seja no lar, no trabalho e na sociedade e “tornam o nosso dia-a-dia mais feliz com sua ternura e sensibilidade”. Ele disse às mulheres codespianas que “estamos construindo um novo momento na empresa e para isso precisamos do apoio e tolerância de todos e vocês mulheres são muito importantes para atingirmos nossos objetivos”.
O diretor Celino leu um poema de Carlos Drummond de Andrade enaltecendo as qualidades da mulher e destacou sua capacidade multifuncional ao desenvolver suas atividades profissionais e cuidar do lar com paciência e zelo. Já o diretor Pádua afirmou que “uma mulher de caráter é o maior investimento que um homem pode fazer na vida”.
Durante sua palestra a psicóloga Marcia Atik falou sobre as conquistas, dificuldades e possibilidades da mulher nos dias atuais, nos aspectos pessoal, familiar e na sociedade. Márcia é formada pela Faculdade de Psicologia da Universidade Católica de Santos (1989) e possui especialização em sexualidade humana pelo Instituto Kaplan (1992) e formação em terapia familiar pela PUC-SP (1995).
Mulheres são cerca de 13% dos colaboradores
No quadro de funcionários da Codesp, atualmente, são 189 mulheres, que representam quase 13% do total de colaboradores da empresa (1.530), atuando em instalações administrativas e na área operacional do Porto de Santos. Durante a solenidade, quatro dessas profissionais, que hoje atuam em atividades predominantemente masculinas, falaram sobre suas experiências na empresa e os desafios de atuar no maior porto do país. A mais antiga em atividade na empresa é a técnica portuária Janete de Almeida Paulo, admitida em 01 de julho de 1968, hoje atuando na Superintendência de Meio Ambiente.
Dalva Mauriz de Sá entrou na empresa em janeiro de 2005, na função de guarda portuária e atua como agente de trânsito. Ela conta que o início foi difícil, principalmente, porque faz parte da primeira turma de mulheres que passaram a atuar diretamente no cais. “Foi uma conquista, pois tivemos que conviver com algumas resistências em função da maioria dos profissionais que atuam no porto serem homens. Tínhamos que lidar, também, com caminhoneiros de vários estados brasileiros, que não aceitavam orientação e determinação de uma mulher”, relembra. Dalva revela que ela e outras companheiras de trabalho que passaram a atuar no Porto foram se superando a cada dia e quando esse número aumentou, foi ficando mais fácil, pois as resistências foram diminuindo. Dalva lembra que desde o início teve que se impor para poder atuar com autoridade. “Foi um trabalho desafiador, principalmente por atuarmos em nome da lei”, afirma. Hoje ela fala com entusiasmo e segurança sobre seu trabalho. “Tudo que vivenciei me proporcionou uma experiência profissional importante. Hoje me sinto muito mais segura no exercício de minhas funções”, afirma.
A técnica portuária Fernanda Silva Rocha, que atua na empresa desde novembro de 2011, conta que ao ser designada para fiscal de obras ficou surpresa. “Pensei que iria atuar no escritório, mas não foi o que aconteceu. Depois que fiz a integração me avisaram que eu iria para o Porto. Nossa! vou fiscalizar obras”, relembra. Entretanto, ao assumir a fiscalização das obras de construção da Avenida Perimetral em Guarujá se sentiu realizada. “Gosto do que faço e sempre contei com o respeito dos demais trabalhadores”, afirma. A princípio havia o espanto: “Nossa, uma fiscal mulher”. ”Meu principal desafio foi superar essa fase e me firmar como profissional. Fernanda explica que, na época, tinha apenas 18 anos e ouvia, inclusive, que deveria estar desfilando numa passarela e não fiscalizando obras. “Penso que se existe competência, não há distinção de gênero que impeça uma mulher de trabalhar numa área predominantemente masculina. A mulher está onde ela quer”, afirmou.
“Força é fundamental para realizar os procedimentos de atracação de embarcações” conta a amarradora de navios Maria Denizete Bezerra do Carmo. Por isso ela teve que aprender a usar a força física, pois tem que puxar cabos pesados, que exigem o esforço de, em média, três amarradores. “Isso desperta o lado fera da gente. A vontade de se superar e fazer um bom trabalho”, diz Denizete. Ela explica que o trabalho tem início com a escala dos amarradores. Em seguida, eles se dirigem para o local de atracação e começam os procedimentos de amarração do navio. A tripulação joga a “retinida” (pequena corda), através da qual são puxados os cabos de amarração para fixação nos cabeços do cais. Segundo ela, são, em média, 12 cabos por embarcação.
Denizete relembra que sempre sonhou em trabalhar no porto. “Eu distribuía currículos em todos os locais onde lia ‘exportação’. Chegava a sonhar com isso, mas nunca imaginei trabalhar diretamente na operação portuária. Hoje me sinto livre e realizada atuando na beira do cais”, afirma.
Estruturar uma forma de atuação foi um dos principais desafios da veterinária Marcela Cristina Mendes Ribeiro, que assumiu, em novembro de 2012, uma função inédita na empresa. “Tivemos que implementar uma cultura preventiva na área de segurança do trabalho. Essa não foi uma missão fácil a princípio, pois enfrentamos muitas resistências”, conta. Segundo Marcela, o fato de ser mulher ajudou muito “porque somos mais detalhistas e exigentes, observamos coisas que, muitas vezes, passam despercebidas para os demais”, explica.
Ela conta sobre o trabalho com os animais abandonados no porto, que recebem cuidados e são encaminhados para adoções. Fala também do esforço para conter a propagação de pragas e disseminação de vetores. “É um trabalho preventivo importante para a saúde do trabalhador, principalmente, numa área tão suscetível a essas questões como é a portuária”, explica.
O trabalho de Marcela envolve o controle de pombos, através de fiscalizações ambientais nos terminais do Porto de Santos, realizadas em conjunto com a Antaq, Anvisa, Ibama e Prefeituras de Santos e Guarujá, de vetores e pragas urbanas, por meio de ações visando minimizar a infestação de insetos, vistorias em campo para eliminar criadouros do Aedes aegypti e fiscalização nos terminais visando inibir a proliferação de pragas nas áreas arrendadas.
Com relação ao controle de animais domésticos, são feitas castrações de felinos e caninos, tratamentos contra ectoparasitas, e endoparasitas, exames laboratoriais, vacinações e atendimentos clínico cirúrgicos.
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