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29/05/2018 - 10h09

Nono dia: caminhoneiros continuam greve no Porto de Santos

Fonte: A Tribuna On-line
 
Trabalhadores da região classificaram as medidas apresentadas pelo presidente como: "ações tímidas e temporárias”


 
A série de medidas anunciadas pelo presidente Michel Temer (MDB) na noite de domingo (27) não foi suficiente para colocar fim à paralisação dos caminhoneiros nos acessos do Porto de Santos – que entra nesta terça-feira (29) no nono dia. No que classificaram de “ações tímidas e temporárias”, as lideranças do movimento regional sustentam manter a greve até a aprovação no Congresso Nacional do marco regulatório do transporte de cargas. Pedem também que o corte nos impostos seja mais amplo, repassado a gasolina e etanol, com validade até o final do ano.
 
Após uma semana de paralisação e tentativa de acordo frustrada, o governo cedeu na noite de domingo (27) à pressão de parcela da categoria, como a redução do diesel em 46 centavos e o congelamento do preço por 60 dias. O abatimento no insumo deve-se à redução das alíquotas da Cide e do PIS-Cofins, com custo de aproximadamente R$ 9,5 bilhões aos cofres públicos nacionais. 
 
Para compensar a renúncia fiscal, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou nesta segunda (28) ser preciso aumentar outros tributos. O político não deixou claro como se daria essa ampliação da carga tributária.
 
Com a redução do diesel, entidades nacionais que haviam deixado a mesa de negociação na semana passada assinaram o novo acordo governamental. Esse é o caso da Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) ao afirmar que os objetivos da greve da categoria foram atingidos e propôs o fim das paralisações.
 
Em entrevista à Agência Brasil, o presidente da entidade, José da Fonseca Lopes, disse que entre 70% e 80% dos caminhoneiros já “levantaram acampamento” nos pontos de obstrução. Já a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), também na linha de frente na mobilização, não trata o ato como encerrado.
 
Segundo as entidades, a expectativa é que o movimento perca força a partir desta terça. Pelos cálculos do governo, haviam 557 concentrações de caminhoneiros parados no País, incluído os acessos ao cais santista. A paralisação dos caminhoneiros entrou na segunda semana, agravando desabastecimento de combustível e alimentos na região.
 
“Não queremos atrapalhar a população, mas resolver o problema que afeta toda a sociedade. Quando a gente paga menos óleo diesel e pedágio, o alimento chega no mercado mais barato”, afirmou o caminhoneiro Cláudio Massud.
 
Ele teme que o desabastecimento possa mudar a opinião pública sobre o movimento. “É a estratégia do governo: deixar que tudo falte no mercado, no posto, para a população achar que somos o bandido”.
 
Na região, as lideranças avaliam que o pacote anunciado pelo governo atende apenas parcela das reivindicações. A ordem, por enquanto, é manter a concentração nos acessos das duas margens do cais santista, sem interdição ao tráfego de veículos leves.
 
“O que está acontecendo (no Porto de Santos) é histórico. Vamos segurar mais um pouco. Enquanto as reivindicações não forem atendidas, o caminhoneiro de Santos não quer rodar. Vai continuar paralisado”, cravou o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônimos da Baixada Santista e Vale do Ribeira (Sindicam), Alexsandro Viviani.
 
Na margem direita (Santos), a mobilização se manteve no acesso de entrada às instalações do complexo portuário no retão da Alemoa (Avenida Augusto Barata) e na saída da Rua Cristiano Otoni, no Valongo. Já na margem esquerda (Guarujá), a categoria se concentrava na Rua Idalino Pines (Rua do Adubo). “A luta da categoria é para reduzir todos os combustíveis e não apenas o diesel”, cita Viviani.
 
O sindicalista sustenta que o corte proposto pela equipe econômica do Governo Federal não repõe as perdas dos trabalhadores desde que a Petrobras alterou sua política de reajuste com base à cotação internacional do barril do petróleo. “O diesel teve aumento de 42% em um ano. Queremos abatimento de, no mínimo, desse reajuste. Voltar o preço a que era antes”.
 
Viviani sustenta que a mobilização regional deve permanecer nos acessos ao cais santista até a aprovação do marco regulatório do transporte rodoviário de carga. “É uma das nossas bandeiras”.
 
Antiga reivindicação da categoria, a lei estabelece, entre outras coisas, valor mínimo para o frete, contratação de seguro contra danos do carregamento e endurece as penas a empresas e caminhoneiros envolvidos no roubo de cargas. O texto volta ser apreciado no Congresso Federal nessa semana.
 
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