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01/01/2015 - 21h51
Novo ministro de Portos assume em meio a desconfiança dos trabalhadores
Fonte: AssCom FalaSantos

Para as principais lideranças sindicais portuárias de Santos, 2015 começou cercado de muita preocupação e desconfiança. O principal motivo tem nome - Edinho Araújo, o novo titular da Secretaria de Portos (SEP), empossado ao lado de outros 38 ministros e da presidente Dilma Rousseff na tarde desta quinta-feira durante cerimônia realizada em Brasília.
Edinho Araújo assume a pasta sem qualquer conhecimento na área de Portos. Além disso, logo após ser escolhido por Dilma surpreendeu a todos ao anunciar que permanecerá no comando da SEP até meados de 2016, quando deixará o cargo para concorrer ao pleito municipal de São José do Rio Preto, sua cidade Natal.
Na avaliação do presidente do Sindicato dos Empregados na Administração Portuária (Sindaport), Everandy Cirino dos Santos, ao afirmar que pretende permanecer no comando da SEP por período previamente estabelecido, Edinho Araújo antecipou sua prioridade. "Estabeleceu um prazo de validade e deixou claro que estará apenas de passagem no cargo, ou seja, na melhor das hipóteses ele já entra de costas".
O sindicalista também demonstra preocupação com a dança de cadeiras no principal escalão do segmento. "É a terceira troca de comando na SEP em pouco mais de um ano e essa descontinuidade administrativa acaba gerando intranquilidade e insegurança não só para os empresários e trabalhadores do setor, mas principalmente nas gestões das companhias Docas". Segundo Cirino, os organogramas das estatais, bem como os projetos em andamento, já estão de posse do novo ministro.
A opinião é compartilhada pelo presidente do Sindicato dos Conferentes de Carga, Descarga e Capatazia do Porto de Santos, Marco Antônio Sanches. "Afirmar que estará com um ‘olho lá e outro cá’ não foi uma manifestação apropriada para quem está assumindo uma pasta tão importante e com tantos problemas e desafios como a de Portos".
Sanches acredita que a gestão da SEP poderá ser prejudicada por conta da disputa eleitoral anunciada pelo ministro. "Os anos de defasagem dos portos brasileiros em relação aos europeus e asiáticos não poderão ser compensados numa gestão previamente programada para durar pouco mais de 12 meses". Para concorrer à Prefeitura de sua cidade natal o ministro deverá cumprir o disposto na Lei Complementar nº 64/1990 - da Inelegibilidade, e se desvincular do cargo seis meses antes das eleições.
Edinho Araújo foi prefeito da cidade em duas ocasiões - 2001 a 2004 e 2005 a 2008. Na qualidade de 5º ministro da SEP, ele assumiu a pasta de Portos em substituição a César Borges, que permaneceu no cargo por pouco mais de seis meses. Criada em 2008 pelo ex-presidente Lula, a secretaria com status de ministério já foi comandada por Pedro Brito, Leônidas Cristino e Antônio Henrique Pinheiro Silveira, além de Borges.
Para o presidente do Sindicato dos Operadores de Guindastes e Empilhadeiras (Sindogeesp), Guilherme do Amaral Távora, a presidente Dilma Rousseff erra mais uma vez ao persistir na política partidária para a administração dos portos públicos. "Com raras exceções, a estagnação do setor motivada pelas incertezas jurídicas e pela ausência de investimentos é a maior prova de que o modelo de gestão proposto pelo Governo Federal não deu certo".
Presidente do Sindicato dos Estivadores de Santos, Rodnei Oliveira da Silva defende uma maior mobilização e interação dos trabalhadores junto à pasta diante da pressão que a classe patronal exercerá sobre o ministro recém-empossado. "Temos informações de que a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP) encaminhará à SEP uma proposta de mudanças na Lei dos Portos (12.815/13) retirando diversas cláusulas que garantem importantes conquistas da categoria, com o que discordamos totalmente", disse o líder sindical.
No comando do Sindicato dos Trabalhadores na Movimentação de Mercadorias (Sintrammar), Francisco Erivan Pereira entende que os interesses do País devem se sobrepor aos dos partidos que compõem a base governista, à exemplo do PMDB, legenda de Edinho Araújo. "Claro que a política é de vital importância, mas em determinados setores, e o de portos é um deles, a presidente Dilma deveria priorizar o conhecimento técnico e acadêmico, além da experiência adquirida através dos anos".
Para superar a desconfiança dos sindicalistas e o ceticismo dos empresários do setor portuário, que na última semana tornaram pública a insatisfação com a escolha da presidente, Edinho Araújo afirmou que pretende contar com uma equipe técnica para gerir os destinos da SEP. Disse que dará prioridade à dragagem e aos arrendamentos sem, no entanto, abordar a questão da mão de obra. A iniciativa foi elogiada de forma unânime pelas lideranças dos portuários de Santos que, apesar das considerações, temores e dúvidas, se colocaram à disposição da pasta e desejaram sucesso ao novo ministro.