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28/02/2019 - 07h45
Novo presidente quer estatal que administra o Porto de Santos 'protegida contra corrupção'
Fonte: G1 Santos
Segundo Casemiro Tércio Carvalho, que assumiu o comando da Companhia Docas do Estado de São Paulo, será preciso criar normas e regramentos internos para mais transparência.


Tornar o Porto de Santos, no litoral de São Paulo, o melhor da América Latina e protegido contra a corrupção. Esses são dois dos principais objetivos do novo diretor-presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), Casemiro Tércio Carvalho, que assumiu o cargo na segunda-feira (25).
Em entrevista ao G1, o engenheiro naval e economista afirmou que, para chegar a tal patamar, será preciso agir de forma estratégica. A começar pelo olhar para dentro da empresa, investindo na melhoria do ambiente de trabalho. Segundo ele, o modelo atual abre brecha para a criação de uma cultura departamental. "É preciso unificação de espaços de trabalho. Hoje a estrutura é muito fatiada", diz.
Para Carvalho, ser o melhor significa ser um porto eficiente, referência em gestão ambiental e de pessoas, com os menores índices de acidente e avarias de carga.
"A gente quer que a população santista tenha orgulho de ter não só o maior como o melhor porto da América Latina. Será preciso criar normas e regramentos internos que têm como objetivo dar mais transparência à gestão da autoridade portuária e criar um ambiente protegido contra corrupção e qualquer coisa que seja um desvio de ética, de moral".
Na visão de Carvalho, é preciso pensar não apenas na resolução de problemas a curto prazo. "A gente precisa pensar no Porto de Santos daqui a 10, 20 anos, não só nos próximos quatro", afirma.
Uma de suas propostas é aumentar a participação da iniciativa privada por meio de concessões, como no caso de serviços como fornecimento de água e energia elétrica, além do próprio acesso rodoviário. Ao contrário da privatização, a concessão se refere a um modelo em que o setor privado assume um serviço público por tempo determinado e recebe retorno através da cobrança de tarifa aos usuários.
Segundo Carvalho, a ideia central é que a Codesp possa desempenhar a função de autoridade portuária. "Hoje você tem várias autoridades no ambiente portuário e a que menos tem autoridade é a Codesp. Quando você foca na sua atividade fim, que é ser autoridade, você deixa de gastar energia cuidando de coisas que não deveriam ser de competência da autoridade portuária".
Para o diretor-presidente, a privatização da Codesp está fora de questão. "Imagine se a gente privatiza a autoridade portuária e um grupo econômico que tem um terminal dentro do estuário ganha esse controle acionário da empresa. Vai ter um desvio na origem. Porque essa empresa vai gerenciar contratos com o concorrente dele. Então, na essência, isso é um assunto que está enterrado", garante.
Usina Itatinga
Outra questão que está na pauta de Carvalho é o déficit da Usina Itatinga, responsável por fornecer a maior parte de energia elétrica ao Porto de Santos. Ele afirma que teve acesso a relatórios que mostram que a usina não consegue se recuperar financeiramente com a venda de energia.
"Se isso for verdade, de fato, a ideia é fazer um chamamento oferecendo um contrato de longo prazo para consumo de energia para a comunidade portuária. E fazer uma espécie de leilão de energia para o porto. Eu levanto o contrato, digo quanto o porto consome e que estou disposto a pagar até tanto pela energia. Seria um leilão reverso", afirma.
Após isso, o objetivo é explorar o potencial econômico do local de outra forma. "Pode se tornar uma área de visitação de ecoturismo, um hotel fazenda, um museu, enfim. O que não dá é continuar do jeito que está hoje. A gente tem um contrato de manutenção que é deficitário, não é eficiente", completa.
Descentralização
Carvalho destaca que é preciso garantir que o corpo técnico da companhia dialogue com os sindicatos e a prefeitura e afirma que é favorável à descentralização da gestão do porto de Santos, ou seja, que decisões ligadas a interesses da região deixem de ser tomadas em Brasília e fiquem a cargo da diretoria executiva da Codesp.
"O que a gente precisa é saber o que é interesse nacional e o que é interesse local. A gente não pode esquecer que o Porto de Santos é um porto de interesse nacional. Ele atende uma carga que sai de Rondonópolis, no meio do mapa do Brasil. Então não pode dar as costas para o Brasil olhando só para a cidade de Santos. E eu também não posso dar as costas para o Brasil e olhar só para Santos", diz.






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