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18/06/2021 - 08h59
O agronegócio preocupado com o Porto
Fonte: Editorial A Tribuna
A cobrança das empresas do agronegócio é justa e se for compreendida pelo governo vai beneficiar todo o País

A cobrança de empresas do agronegócio por mais investimentos em acessos ferroviários ao Porto de Santos e a seus terminais é justa e, se atendida pelo governo, vai beneficiar toda a economia. O assunto foi o destaque do 1º Encontro Porto & Mar 2021, realizado na quarta-feira pelo Grupo Tribuna. A preocupação dos empresários, que atinge também representantes dos setores industrial e de fertilizantes, entre outros participantes do evento, é expandir suas produções e não conseguirem otimizar suas operações devido a gargalos do complexo santista.
Enquanto o setor de serviço, devido ao desemprego e às restrições impostas pela Covid-19, não tem condições de impulsionar o PIB nacional, o campo e a mineração, em bom momento das commodities, lideram a retomada brasileira, ainda muito frágil. Entretanto, o ponto fraco do País continua nos transportes, que há décadas não recebe os recursos necessários para crescer ou melhorar sua eficiência. Caso a infraestrutura tivesse avançado como em outras nações concorrentes, o custo da produção Brasil seria menor e mais competitivo. No caso do agronegócio, os produtores brasileiros têm índices de eficiência em linha com seus principais pares internacionais, uma vantagem que começa a ser anulada quando as mercadorias caem nos mais diversos modais rumo aos portos.
Considerando a questão santista, também é motivo de preocupação a competição dos outros portos, o que é saudável, mas com o agravante de ocorrer alguma desvantagem referente aos custos locais. Pelo próprio dinamismo e crescimento do agronegócio e da mineração, há investimentos portuários no Norte, no Nordeste e no Sul. Já o Porto de Santos precisa ser privilegiado com melhorias devido a seu tamanho e sua localização estratégica no maior mercado produto e consumidor do País, que é São Paulo.
No 1º Encontro Porto & Mar 2021, discutiu-se ainda o impacto da decisão do TCU, que autorizou a prorrogação do arrendamento de terminal na região de Outeirinhos, travando o plano de investimento do governo para melhorar o tráfego ferroviário no cais santista. Segundo a Autoridade Portuária de Santos, essa obra postergada terá impacto diretor na malha na Margem Direita (lado santista do Porto) e, por consequência, nos terminais. Dessa forma, o governo precisa agir rapidamente frente a esse impasse e encontrar, caso o plano ferroviário inicial não possa ser cumprido, a melhor solução para o setor.
As oportunidades de crescimento para o complexo portuário santista são grandes e elas coincidem com um mercado externo muito favorável. Mas seu potencial tem gargalos bem definidos, entre eles o ferroviário. Problemas na infraestrutura são uma tradição no Porto, porém, de demorada solução sempre que surgiram – e esse tempo não pode ser perdido agora.






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