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11/06/2014 - 09h41
O que reservam as duas próximas décadas para a marinha mercante
Fonte: Monitor Mercantil

O setor da marinha mercante será quase desconhecido em 2030, com os novos mercados transformados em novos players mundiais no gerenciamento e transporte de matérias-primas e commodities, com milhões de consumidores, assim como novos focos de tensão.

O setor da marinha mercante será quase desconhecido em 2030, com os novos mercados transformados em novos players mundiais no gerenciamento e transporte de matérias-primas e commodities, com milhões de consumidores, assim como novos focos de tensão.
Neste novo mundo existirão vencedores e vencidos em todos os níveis: países perderão parcelas de seus predomínios atuais no mar, cidades praianas conquistarão posições na batalha mundial pelos novos eixos marítimos que estão sendo criados, economias serão beneficiadas pelo aumento de demanda de matérias-primas. Em analogia, serão convocadas a adequarem-se as empresas que operam na indústria da marinha mercante.
Em seu relatório Global Marine Trends 2030, que elaboraram Lloyds Register, QinetiQ e Universidade Strathclyde, de Glasgow, os pesquiaadores estão prevendo como será a indústria da marinha mercante daqui a cerca de 20 anos com base em três prováveis cenários.
No mais provável, que denominam Status Quo, o planeta continuará marchando como hoje, com a economia registrando os conhecidos ascendentes e descendentes ciclos, enquanto os governos tentarão atender às exigências dos cidadãos com a conhecida lógica de curto prazo.
No segundo cenário, intitulado Global Commons, os governos ficarão ocupados muito seriamente com as questões dos limitados recursos naturais e dos problemas no meio ambiente, enquanto a riqueza será distribuída com maior justiça entre os habitantes do planeta.
Finalmente, no terceiro cenário, com título Competing Nations, os Estados não conseguirão atingir a harmonia do cenário anterior e passarão a ocuparem-se, primeiramente, com seus próprios interesses. Assim, é criado um novo mundo de severa competição.
Rumo ao Oriente
De acordo com o cenário básico, a China apresentará o maior crescimento da frota da marinha mercante, com sua parcela aumentando de 15%, em 2010, para 19% a 24%, em 2030. Importantíssimo é o destaque de que os armadores da Grécia e do restante da Europa continuarão sendo, também em 2030, as forças predominantes com base no número de embarcações mercantis de suas propriedades.
Grande redução, avalia-se, apresentará a fatia do Japão, a qual, de 12% do frota mundial da marinha mercante em 2010, será reduzida para 5,6% a 6,7% em 2030. Já com relação à parcela da Europa na categoria dos tankers, será reduzida de 41%, em 2010, para 27% a 34%, em 2030, enquanto a fatia dos países do Sudeste da Europa aumentará de 11% para 16% a 19%. Os tankers de propriedade de armadores chineses constituirão 10% a 13% do mercado em 2030 (7,6% hoje).
No setor de embarcações para transporte de gás natural liquefeito (GNL), o mercado continuará sob o domínio do Grande Oriente Médio, Europa e Japão em 2030. Contudo, a parcela deles será ligeiramente reduzida por causa da ascensão da China e dos países da África. Especificamente para a Europa Ocidental (incluindo a Grécia), sua parcela será reduzida de 29% em 21%, em 2030.
O maior aumento de propriedade de embarcações de transporte de cargas a granel será registrado na China, cuja fatia aumentará de 22% para 26% a 31% no período 2010–2030. Pequena queda deverá registrar a Europa (de 16% para 12% a 15%).
Na categoria de embarcações para transporte de contêiners, a parcela da Europa, que em 2010 atingia 48%, será reduzida para 29,5% a 35,6% em 2030, de acordo com o cenário básico do relatório. Ao contrário, considerável aumento está previsto para embarcações do setor de propriedade de armadores chineses (aumento em 20,5% a 27,2% do mercado, ante 18,3% em 2010).
Potências mundiais
Em qual economia competirão em 2030 as potências mundiais de marinha mercante? Segundo o cenário básico, a economia mundial estará sob o predomínio dos Estados Unidos e da China, enquanto, simultaneamente, a posição da Índia será fortalecida. Prevê-se que chineses superarão os norte-americanos, com base no Produto Interno Bruto (PIB), ainda na década de 2020, mas a evolução mais importante constituirá a galopante ascensão da Índia. Prevê-se que a economia indiana registrará trajetória ascendente, da nona posição, em 2010, para entre as três primeiras, em 2020.
Em 2030, o PIB da Índia será duas vezes superior ao do Japão e mais do que a metade do dos EUA. A economia mundial será cerca de 2,6 vezes maior em comparação com 2010. O comércio interno em diversas regiões do planeta (Europa, Ásia e outras) será duplicado até 2030.
O comércio marítimo mundial será dominado pelas linhas entre os países do Extremo Oriente (entre Oceania e Extremo Oriente, entre Extremo Oriente e América Latina e entre Extremo Oriente e Grande Oriente Médio). Nas específicas linhas está previsto maior crescimento com a Ásia assumindo papel principal no comércio marítimo mundial.
Maior consumidor
A China superará a América do Norte como o maior consumidor de petróleo em 2030. Até lá o consumo triplicará em comparação com 2010 e, enquanto hoje constitui quase a metade do correspondente consumo da América do Norte, em 2030 será 35% superior.
O petróleo constituirá a mais importante commodity marítima, com sua parcela aproximando-se de 25% em 2030. O Grande Oriente Médio e o Golfo Pérsico continuarão sendo os principais exportadores de petróleo daqui a 16 anos, enquanto a China e o Sudeste Asiático aumentarão, consideravelmente, as importações.
Simultaneamente, será registrada redução das compras pela Europa, América do Norte e Japão. Já no setor do GNL, prevê-se que o maior aumento de importações será registrado pela Índia e China, enquanto as principais rotas de transporte do gás natural serão entre Austrália, China e Japão e entre Egito, Índia, Grã-Bretanha, Nigéria e China, além de Catar, Índia e Grã-Bretanha.