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18/02/2013 - 02h20
OIT: potencial dos empregos ‘verdes’ não é aproveitado
Fonte: O Globo / RJ
A transição para uma economia mais sustentável tem um potencial de gerar oportunidades de emprego que não está sendo aproveitado por governos e empresas, afirma a Organização Internacional do Trabalho (OIT) em relatório divulgado nesta sexta-feira. A organização defende que “o modelo de desenvolvimento baseado no uso intensivo dos recursos naturais vai gerar custos cada vez maiores, assim como perda de produtividade”.
Segundo a OIT, os dados de muitos países mostram que o argumento de que uma economia mais verde traria impactos negativos à geração de emprego é exagerado. E que, ao contrário, países em desenvolvimento são os que mais podem se beneficiar dos avanços nos setores de tecnologias limpas e energias renováveis.
No Brasil, em 2010, os setores dedicados a reduzir danos ambientais empregados foram registrados 2,9 milhões, enquanto os EUA possuem 3,1 milhões. “Na região (da América Latina e Caribe), países como México e Brasil levam a dianteira na adoção de medidas para lidar com temas ambientais, sobretudo nas estratégias nacionais de crescimento com baixa emissão de carbono”, destaca o relatório.
A OIT cita outro estudo, do Banco Mundial, segundo o qual a redução das emissões de carbono em mais de um terço até 2030 é compatível com o PIB e com o crescimento econômico do país. “Assim, o país tem uma grande oportunidade de mitigar e reduzir suas emissões de carbono em setores como agricultura, energia, transporte e manejo de resíduos, sem afetar de maneira negativa seu avanço econômico”.
Micros, pequenas e médias empresas têm mais dificuldades
Para que isso ocorra não só no Brasil como no resto da América Latina e do Caribe, no entanto, é preciso obter a adesão das micro, pequenas e médias empresas e também que haja políticas voltadas para elas.
O emprego por conta própria e por microempresas soma 66,5% dos 201 milhões de trabalhadores da iniciativa privada da região em 2009, segundo a OIT. As pequenas e médias empresas reúnem outros 20% do total e as grandes respondem por apenas 13,5% dos empregos. Há ainda 53 milhões de funcionários públicos e empregados domésticos e 21 milhões de desempregados.
Apesar de o número de certificações ISO 14001 – desenvolvida para ajudar as empresas a reduzir seu impacto ambiental negativo – ter aumentado, as empresas de menor porte encontram mais dificuldades nesse campo do que as grandes.
“O desconhecimento da regulação ambiental, o custo relativo dos investimentos ambientais e de processos de certificação, e a distância dos mercados de exportação são obstáculos ao avanço deste segmento de empresas em direção a uma maior sustentabilidade ambiental”, avalia o relatório.
O relatório cita iniciativas do Sebrae, como a Rede Brasileira de Produção Mais Limpa, criada em conjunto com o Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS). A rede funciona por meio de núcleos instalados em sete estados e vinculados às federações industriais locais, prestando serviços de diagnóstico ambiental, assistência técnica e capacitação para empresas de diversos segmentos e atividades.