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22/12/2015 - 01h48
Opinião: Vila do Conde e a razão do desinteresse
Fonte: Guia Marítimo
Para executivo, candidatos não tiveram interesse possivelmente por exigência de que terminal teria de garantir, no sexto ano da concessão, uma movimentação mínima de 2,4 toneladas
Embora localizada em uma área considerada estratégica para o escoamento da produção agrícola do Centro-Oeste, o terminal de Vila do Conde, no município de Barcarena, no Pará, que deveria ir a leilão no começo de dezembro, não despertou interesse de nenhum grupo privado por seu arrendamento. De acordo com o edital da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), a empresa que assumisse a responsabilidade pelo funcionamento do terminal teria de garantir, no sexto ano da concessão, uma movimentação mínima de 2,4 toneladas e, a partir do sétimo ano, de 2,6 milhões de toneladas. Na opinião de Milton Lourenço, presidente da Fiorde Logística Internacional, tudo indica que esse item foi o que levou os possíveis candidatos a desistir de apresentar qualquer proposta de exploração. “Até porque o concessionário teria de assumir um risco muito grande, pois o cumprimento dessa meta dependeria do imponderável, ou seja, da agilidade do governo para concluir as obras da BR-163, que se arrastam desde a década de 1970”.
Para ele, o governo nem deveria ter colocado o lote em leilão. “Até porque não cabe à iniciativa privada assumir riscos que dependem de serviços públicos. Além disso, do edital constam outras exigências que podem ter afastado os investidores. Ou seja, diante de tanta insegurança jurídica, os investidores optaram por esperar mais um pouco, pois só mesmo com as obras da BR-163 totalmente concluídas será possível garantir aos produtores fretes baixos”.
A BR-163, a Rota do Oeste, é uma rodovia longitudinal com 3467 quilômetros de extensão, que liga Tenente Portela, no Rio Grande do Sul, a Santarém, no Pará. Está asfaltada até Mato Grosso, na cidade de Guarantã do Norte, a 728 quilômetros de Cuiabá, no Norte do Estado. No sentido Santarém, são cerca de 500 quilômetros de estradas de chão, enquanto o restante do trecho vem sendo asfaltado até a margem direita do Rio Amazonas, onde fica a cidade paraense.
Nos últimos dias, foi concluída a recuperação emergencial do pavimento da pista entre Cuiabá e a Serra de São Vicente, partindo do quilômetro 321,3 ao 278,9. O trecho de 42,4 quilômetros tem obras de duplicação e recuperação estrutural. Já rumo ao Pará, segundo ele, além da deterioração da pista, a rodovia está mal sinalizada “e as marcações, quando existem, não condizem com a atual realidade, causando ainda muita confusão para quem trafega pela via. Em época de chuvas, formam-se filas de caminhões, ônibus e carretas, que esperam “enxugar” a estrada para seguir viagem. Os que têm pressa pagam para serem tirados dos atoleiros”, disse, acrescentando que com isso, muitos produtores preferem despachar suas cargas para os portos do Sudeste e do Sul, apesar da maior distância.