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10/11/2016 - 11h01
Os portos contra a ineficiência
Fonte: DCI


Os efeitos da lenta recuperação econômica global no comércio marítimo foram explicitados no relatório sobre o setor publicado nesta semana pela Unctad, escritório da ONU voltado para o comércio e o desenvolvimento. Embora o volume de embarques tenha crescido 2,1% em 2015 (por conta da expansão do transporte de óleo bruto), a taxa de expansão foi a menor registrada desde 2008, no início da crise. Essa timidez nas trocas comerciais mundiais é mais um ingrediente no caldo de ineficiência crônica que o segmento sofre no Brasil. Há muita dúvida regulatória e baixa velocidade nas soluções.
Estudo recente da CNI com a FGV sobre as barreiras para a expansão das exportações verificou, por exemplo, que o número de processos para liberação de cargas e os custos administrativos provocam um gasto adicional de até R$ 4,3 bilhões por ano nas operações portuárias brasileiras. Burocracias, redundância de processos e sobreposição de competências de instâncias municipais, estaduais e federal causam perdas de R$ 6,3 bilhões anuais só por atrasos em obras estruturais.
E ainda perduram as ineficiências da própria infraestrutura logística brasileira, com as precárias condições de estradas e ferrovias que levam as mercadorias aos portos, agravadas pela baixa atratividade de investimentos no atual momento de crise. A operação portuária em si também deixa a desejar. Segundo a Unctad, a média de espera para descarregar um navio de granel sólido no Brasil chegou a 5,17 dias no ano passado, a maior taxa do mundo. A média na China é de 1,81 dias e a dos Estados Unidos é de 1,51 dias.
Com a mudança política no país, surgiu uma oportunidade histórica de abrir de vez o setor para o investimento privado nacional e estrangeiro, uma vez que o poder público não conseguiria manter o nível necessário de investimentos nem se assim o desejasse. Os novos arrendamentos e a possibilidade de concessão das obras de dragagem em algumas áreas podem ser o início desse processo.