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04/10/2018 - 02h52

País fecha mais empresas do que abre pelo 3º ano seguido, aponta IBGE

Fonte: Valor Econômico
 
A crise reduziu o número de empresas ativas no Brasil. O país tinha 4,48 milhões de empresas registradas no Cadastro Geral de Empresas (Cempre) em 2016, ou 1,6% a menos do que em 2015 -- perda líquida de 70.835 empresas. Esse total já havia recuado 4,5% em 2014 e 0,1% em 2015, configurando assim o terceiro ano consecutivo de baixa.
 
Isso significa que, ao longo da crise, 293.502 empresas se tornaram inativas no país, considerando o saldo líquido entre entradas e saídas, disse nesta quarta-feira (3) Denise Guichard, analista do IBGE, ao comentar os resultados do estudo Demografia das Empresas e Estatísticas de Empreendedorismo, divulgado ontem.
 
"Estamos pegando um período de crise entre 2014 e 2016. Isso reflete no número de empresas formais. Vemos que em 2016 temos número de empresas criadas menor do que saíram. Então, o saldo fica negativo. Isso faz com que o número total caia", disse ela.
 
Em 2016, a taxa de entrada das empresas (relação entre o número de empresas que entraram no mercado e o total de empresas) caiu pela sétima vez consecutiva, chegando em 14,5%, o menor valor da série histórica iniciada em 2008. A taxa de saída voltou a crescer em 2016, passando de 15,7% para 16,1%.
 
Com o recuo do total de empresas ativas, o pessoal ocupado assalariado recuou 4,8% em 2016, na comparação ao ano anterior, para 32,01 milhões de pessoas, o correspondente a 1,6 milhão a menos de pessoas ocupadas nas empresas.
 
O salário médio pago foi de R$ 2.328,03, o equivalente a 2,6 salários mínimos mensais médios, segundo a pesquisa. No ano anterior, em 2015, o valor recebido pelos trabalhadores era, em média, maior: 2,7 salários mínimos, segundo a pesquisa.
 
O estudo foi realizado com base em informações da Relação Anual de Informações Sociais (Rais) e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Não foram consideradas organizações da administração pública, das entidades sem fins lucrativos, às pessoas físicas e às organizações internacionais e outras instituições.
 
Portas fechadas
 
De cada 10 empresas surgidas no país, seis não sobrevivem após cinco anos de atividade, segundo a pesquisa, com base em dados de 2016.
 
Das 694,5 mil empresas abertas no país em 2011, somente 251 mil (75,2%) permaneciam em operação em 2014. Somente no primeiro ano de funcionamento, mais de 492 mil empresas (75,2%) fecharam as portas.
 
"Essa piora da sobrevivência tem a ver com a crise. Todos os números mostram redução: de pessoal assalariado, empreendedorismo. Já é pelo menos segundo ano de crise", disse Denise Guichard.
 
O estudo não detalha os motivos para o fechamento das empresas. O tamanho da empresas surgida, porém, por influenciar as chances de sucesso. De acordo com o pesquisa, a taxa de sobrevivência das empresas sem empregados foi de 69,3%; a taxa de sobrevivência das empresa com 10 ou mais assalariados foi de 95,7%.
 
As atividades das empresas que apresentaram as mais altas taxas de sobrevivência foram saúde humana e serviços sociais (55,8%) e atividades imobiliárias (49,4%). Já a taxa de sobrevivência da atividade de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, após cinco anos de atividade, foi a mais baixa (36,1%).
 
Menos alto crescimento
 
De acordo com o levantamento, o número de empresas de alto crescimento foi impactado pela recessão econômica enfrentada pelo país.
 
O Brasil tinha 20.998 empresas de alto crescimento em 2016, 18,6% a menos do que no ano anterior. Empresas de alto crescimento são aquelas que aumentam o número de empregados em pelo menos 20% ao ano, em média, por três anos consecutivos, e que tinham 10 ou mais pessoas ocupadas assalariadas no ano inicial de observação.
 
As empresas de alto crescimento estão distribuídas, principalmente, por atividades de comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (25,9%); indústrias de transformação (18,2%); e atividades administrativas e serviços complementares (11,7%).
 
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