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17/11/2014 - 05h55
Para empresários, novas regras engessam operações
Fonte: Valor Econômico

Depois de exaustivas negociações em torno da nova Lei dos Portos, que incluíram até mesmo a sessão mais longa do plenário da Câmara dos Deputados em quatro décadas, empresários do setor comemoraram no ano passado a aprovação de um marco regulatório sem tantas amarras aos investimentos. O problema veio mais tarde: um emaranhado de decretos, portarias e resoluções tem engessado a operação de portos privados e impõe novas barreiras ao desenvolvimento de suas atividades. A queixa foi feita na última quarta-feira (12) pelo almirante Murillo Barbosa, presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), entidade que completou um ano de criação.

Depois de exaustivas negociações em torno da nova Lei dos Portos, que incluíram até mesmo a sessão mais longa do plenário da Câmara dos Deputados em quatro décadas, empresários do setor comemoraram no ano passado a aprovação de um marco regulatório sem tantas amarras aos investimentos. O problema veio mais tarde: um emaranhado de decretos, portarias e resoluções tem engessado a operação de portos privados e impõe novas barreiras ao desenvolvimento de suas atividades. A queixa foi feita na última quarta-feira (12) pelo almirante Murillo Barbosa, presidente da Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), entidade que completou um ano de criação.
"Estão tirando a flexibilidade de empreendimentos comerciais. Queremos menos peso da regulação", lamenta Barbosa, um oficial reformado da Marinha e ex-diretor da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq). O alvo atual das reclamações de seus associados é a resolução 3.707 da agência reguladora, ainda em audiência pública, que busca definir certos direitos e deveres dos portos privados.
Uma das propostas da Antaq é que os operadores portuários não poderão recusar carga de nenhum cliente, caso haja ociosidade nos terminais, a fim de evitar tratamento discriminatório. Os empresários alegam que isso pode significar uma espécie de intromissão do poder público em relações estritamente privadas.
Outro ponto bastante criticado é a regra que permite às donas de terminais expandir em até 25% suas áreas de operações ao longo da vigência dos contratos com a Secretaria de Portos. Uma portaria definiu esse limite como o máximo que um terminal pode ser ampliado fisicamente, sem enfrentar um novo processo de autorização. O limite é válido mesmo se o terminal tiver terreno disponível para expansão.
Desde a nova legislação do setor, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em junho do ano passado, o governo assinou 34 contratos para novos portos privados. Eles estão recebendo investimentos de R$ 10,3 bilhões.
Até a MP 595, que se converteu na Lei 12.815, os terminais privados tinham que operar predominantemente com carga própria e só podiam movimentar carga de terceiros para complementar suas atividades. A reforma portuária acabou com essa diferenciação das cargas. Os terminais públicos nos portos organizados, como Santos (SP) e Paranaguá (PR), continuam sendo objeto de contratos de arrendamento à iniciativa privada.