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14/07/2015 - 01h13

Para especialistas, papel de algumas estatais é incerto

Fonte: O Estado de S. Paulo
 
Lista inclui empresas com a Companhias Docas, que administram os portos; a Valec, que cuida das obras ferroviárias; e a EPL, criada para planejar a logística nacional

 
O papel de algumas estatais virou uma incógnita nos últimos anos, segundo especialistas. A lista inclui as Companhias Docas, que administram os portos; a Valec, que cuida das obras ferroviárias; e a EPL, criada para planejar a logística nacional. “O problema é que não há planejamento e falta transparência nas estatais. A Valec, por exemplo, não tem futuro. Até quando vai perder dinheiro?”, questiona a economista Elena Landau. Segundo ela, é preciso mudar a filosofia nas estatais, vender o que não é prioritário e dar lucro.
 
A exemplo da Infraero, a Valec tem sofrido com o atraso nos repasses federais. A construção da Ferrovia de Integração Oeste-Leste, na Bahia, tem alguns trechos praticamente parados, afirma o vice-presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Construção (Sintepav-BA), Irailson Warneaux. Segundo ele, dos sete lotes da obra, três estão parados ou em ritmo lento. “Do ano passado pra cá, 1,6 mil trabalhadores foram demitidos nos canteiros da Fiol. Em alguns casos, as rescisões nem foram pagas.” Uma vez que o novo modelo do setor ferroviário não decolou, especialmente pela falta de confiança do empresariado na estatal, não se sabe qual será seu papel nas novas concessões.
 
Nas Docas, a situação não é muito diferente. Nos últimos três anos, o orçamento das empresas caiu pela metade. Recentemente, a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) autorizou a revisão das tarifas das principais autoridades portuárias. O aumento nas estatais chegou a 31,7%, como foi o caso da Companhia Docas de São Paulo (Codesp), que administra o Porto de Santos. Especialistas dizem que o futuro das Docas é incerto, especialmente depois dos planos do governo de transferir para a iniciativa privada os serviços de dragagem dos canais de acesso.
 
A Secretaria de Portos nega que a medida esvaziaria as Docas. Em nota, afirma que o principal papel das empresas é o de administrar os portos e coordenar todos os atores envolvidos na atividade portuária. Mas, para o presidente da Associação Brasileira de Terminais Portuários (BTP), Wilen Manteli, as Docas perderam a capacidade de gerir os portos há muitos anos. “São estruturas pesadas, com passivo trabalhista bilionário, que corrói boa parte da arrecadação.” Na opinião dele, a solução é privatizar toda a gestão dos portos. “Não adianta transferir apenas uma parte (a dragagem) para a iniciativa privada. Essa é uma solução meia-sola.”
 
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