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29/01/2016 - 11h07

Para evitar demissões, empresas e profissionais do Porto precisam negociar

Fonte: A Tribuna On-line / Leopoldo Figueiredo
 
Buscar soluções conjuntas. Esse é o caminho para evitar cortes, afirmam especialistas

 
Este será um ano de desafios para o mercado de trabalho do Porto de Santos. O fantasma dos cortes nas empresas do segmento ainda estará presente, mas não tão forte como no ano passado, quando mais de 1.400 profissionais do setor foram demitidos na região. Porém, para evitar grandes desligamentos, o setor terá de se esforçar e mostrar maturidade, apostando em maior eficiência, redução de custos e muito jogo de cintura, tanto por parte dos profissionais como pelas empresas.
 
A análise é de executivos, sindicalistas e especialistas no setor portuário de Santos, questionados por A Tribuna sobre suas expectativas para o mercado de trabalho no complexo marítimo neste ano. Todos concordaram que a tarefa não será fácil, mas é possível chegar ao final de 2016 sem ondas de demissão no complexo marítimo.
 
“A esperança é ficarmos no zero a zero neste ano. Teremos de lutar, negociar muito para não termos cortes. Às vezes, será preciso abrir mão de reajustes e há quem defenda a suspensão do mercado de trabalho. São ações que temos de estudar. mas é possível (evitar as demissões nas empresas do Porto)”, afirmou o presidente do Sindicato dos Empregados Terrestres em Transportes Aquaviários e Operadores Portuários do Estado de São Paulo (Settaport, que representa parte dos trabalhadores de terminais , Francisco Nogueira, 
 
Segundo o sindicalista, o mercado deve ficar “estagnado” até julho, podendo melhorar no segundo semestre.
 
Nogueira destaca que reduzir uma equipe em uma empresa portuária “representa sempre um problema.O profissional portuário é qualificado. Não se encontra com facilidade um pronto. Quando você contrata, leva um tempo para treiná-lo para a função”. 
 
O presidente do Sindicato dos Operadores do Estado de São Paulo (Sopesp), Roberto Teller, acredita que o aumento das exportações neste ano, favorecidas pelo câmbio, “deverá contribuir para um pequeno crescimento na movimentação de cargas em geral no Porto de Santos, o que irá manter os empregos em alguns setores portuários e talvez provocar pequenos cortes, mas com baixo impacto, uma vez que os principais ajustes vieram ocorrendo nos últimos anos”. Segundo ele, “o primeiro semestre ainda está acomodando a retração ocorrida no comércio exterior do Brasil com a Asia e deverá estabilizar no segundo semestre”.
 
Teller explica que , para evitar demissões, os terminais “deverão lançar mão de novos mecanismos como suspensões temporárias, lay-off e outros que auxiliem os trabalhadores a retornarem em um momento de crescimento do mercado novamente, o que deverá ocorrer em médio prazo”.
 
O consultor portuário Sérgio Aquino, especializado em negociações entre patrões e empregados, também destaca a importância de medidas alternativas, como a suspensão temporária de contratos de trabalho, para evitar demissões. “Será um ano de esforços de toda a comunidade para manter os empregos. E as soluções serão conjuntas, com cada parte mostrando maturidade e abrindo mão de algo”, explicou.
 
Para compensar eventuais cortes, Aquino defende o desenvolvimento de atividades associados ao Porto, como as operações retroportuárias. “Temos de olhar o complexo portuário como um sistema integrado. O retroporto pode ser desenvolvido e atrair profissionais que estavam no cais”.
 
No agenciamento marítimo, o mercado de trabalho tende permanecer como está, afirma o presidente do Sindicato das Agências de Navegação Marítima do Estado de São Paulo (Sindamar), Marcelo Neri. Mas há o risco de cortes, especialmente se forem decisões vindas de acionistas. 
 
Especialista no mercado de trabalho portuário, a diretora-executiva do Espaço Santista de Recursos Humanos, a psicóloga Rita Zaher, aponta que 2016 será um ano de negociações e esta é a solução para reduzir as demissões. “Em 2015, as empresas foram pegas de surpresa e tiveram de cortar. Agora, houve um tempo maior para planejamento, para elas se adequarem”.
 
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