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23/08/2018 - 02h49

Paralisação de caminhoneiros tira ganho de salários em julho

Fonte: Folha de S. Paulo
 
Acordos e convenções coletivos não tiveram aumento real, diz Salariômetro da Fipe


 
A paralisação dos caminhoneiros, no fim de maio, continua a trazer consequências para a economia. Desta vez, o impacto foi no bolso dos trabalhadores.
 
No mês de julho, os acordos e convenções coletivos não tiveram aumento real, apontam dados do Salariômetro da Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), que foram antecipados à Folha e divulgados nesta quarta-feira (22).
 
O índice mediano de reajustes concedidos por negociações protocoladas em julho no Ministério do Trabalho foi de 3,5%, mesmo percentual do INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) acumulado em 12 meses.
 
Com isso, fez o aumento real ficar em zero.
 
Foi a primeira vez desde janeiro de 2017 que a reposição real ao trabalhador ficou zerada. No mês passado, 37,1% dos acordos ou convenções coletivos fechados ficaram abaixo da inflação, ante 4,8% em junho.
 
No acumulado dos últimos 12 meses, desde agosto passado, 6,9% das negociações coletivas tiveram reajustes abaixo da inflação.
 
Segundo Hélio Zylberstajn, professor da FEA-USP e coordenador do Salariômetro, a disparada da inflação por causa da paralisação dos caminhoneiros somada à baixa atividade econômica levaram à queda do reajuste real.
 
"O acumulado da inflação deu um salto, praticamente dobrou. E, com a economia parada com está, não há como as empresas darem aumento real aos trabalhadores", afirma.
 
Em junho, o acumulado do INPC havia ficado em 1,8%.
 
As negociações coletivas estabelecem regras para as relações de trabalho entre empregados e empresas.
 
Convenções são negociadas entre os sindicatos de trabalhadores e patronal e valem para toda a categoria.
 
Já acordos são estabelecidos entre a entidade de trabalhadores e uma empresa, para regulamentar necessidades específicas daquela relação com os funcionários.
 
Em julho, o piso salarial mediano negociado foi de R$ 1.207, ante R$ 1.213 do mês anterior.
 
Zylberstajn chama a atenção para períodos com inflações até mais altas do que o patamar atual, mas que tiveram reajuste real porque as empresas ainda conseguiam ter uma margem de negociação, apesar da crise.
 
Em fevereiro de 2017, por exemplo, o INPC estava acumulado em 5,4%, porém as negociações coletivas conseguiram aumento real de 1,4%.
 
Para o especialista, a tendência até o fim deste ano é que as negociações coletivas consigam apenas repor a inflação. Isso porque o INPC deve chegar a 4,2% em dezembro deste ano, segundo estimativa do Boletim Focus.
 
"A greve dos caminhoneiros fez que a inflação desse esse salto mas não é só ela que é a vilã. A alta do dólar e da energia elétrica, por exemplo, vai continuar pressionando a inflação", afirma o professor.
 
"Então, há uma grande probabilidade de que as negociações consigam apenas a reposição da inflação daqui até o fim do ano", diz Zylberstajn.
 
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