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03/07/2018 - 03h37
Paranaguá se prepara para receber uma nova geração de super navios
Fonte: Valor Econômico


Segundo maior porto do Brasil, Paranaguá receberá uma série de novos investimentos que deverão consolidar o terminal como principal porta de entrada no país da nova geração de super navios que deverão ganhar os oceanos nos próximos anos. A movimentação de contêineres deverá ser reforçada com os investimentos que o Terminal de Contêineres de Paranaguá (TCP) está realizando, em contrapartida à renovação antecipada do arrendamento por mais 25 anos a partir de 2024.
Serão investidos R$ 550 milhões até o terceiro trimestre de 2019 para ampliar a capacidade de movimentação de 1,5 milhão de Teus (contêiner de 20 pés) por ano para 2,5 milhões de Teus. A prorrogação antecipada foi assinada em abril de 2016 pelo governo federal. O Terminal de Contêineres de Paranaguá ganhará mais 220 metros de cais, que passará a contar com 1.099 metros de extensão. Hoje o terminal opera com cerca de 45% de ociosidade, mas os investimentos buscam posicioná-lo de forma diferenciada no futuro do setor.
"Queremos melhorar a infraestrutura para receber os super navios, seja os de 10 mil Teus, sejam os de nova geração, com 14 mil Teus a 16 mil Teus, que já navegam na Europa e na Ásia", diz o presidente da TCP, Luiz Alves. No xadrez estratégico em que o TCP movimenta suas peças, o futuro da movimentação de contêineres no Brasil deverá se concentrar em cinco a seis terminais, espalhados entre o Sul, Sudeste e Nordeste. Escala, calado e infraestrutura para receber os super navios farão diferença. Hoje existem cerca de 20 terminais no Brasil.
Serão colocadas 7200 estacas para a ampliação do cais. Cerca de 20% da etapa já foi concluída. A expansão coincide com a dragagem do porto de Paranaguá, que passou a ter calado de 13,3 metros de profundidade, o que permitirá a atracação de navios maiores. Em 2010, o calado estava em cerca de dez metros. Já há estudos sendo desenvolvidos pela autoridade portuária local sendo realizados para ampliação da profundidade para 15 metros de altura.
Hoje metade das cargas no TCP é de importação e metade de exportação. Cerca de um entre quatro contêineres movimentados no país pelos terminais é de origem chinesa. O grupo chinês China Merchants Ports, o maior operador de portos do mundo, anunciou no fim do ano passado a compra de 90% do Terminal de Contêineres de Paranaguá por R$ 2,9 bilhões. Os chineses movimentam no mundo 100 milhões de contêineres em um ano, dez vezes mais que todas as empresas no Brasil.
Cabotagem é outra atividade que tem crescido. Entre as cargas mais movimentadas em contêineres no fluxo que vai de Paranaguá ao Norte e Nordeste, estão carnes refrigeradas, madeira e alimentos. Na descida, há uma maior diversificação com alimentos, embalagens, químicos e eletrônicos. Um diferencial do terminal é o uso de trilhos. O TCP investiu para receber mais cargas por ferrovias. Com a duplicação do ramal ferroviário, fruto de um investimento de R$ 30 milhões, concluído em 2014, cerca de 15% das cargas chegam pelos trilhos no terminal. No início da década, eram menos de 5%. A opção ferroviária é baixa ainda nos terminais brasileiros, mas elevada em todo o porto de Paranaguá, onde está em cerca de 30%: em Santos, menos de 5% dos contêineres chegam pelos trilhos.
O porto deverá ser adensado ainda com a licitação pelo governo federal de novos terminais na área, diz o secretário do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), Adalberto Vasconcelos. Em 27 de julho, deverão ser realizados os leilões de um terminal de celulose com capacidade de 1,3 milhão de toneladas anuais e outro com capacidade de movimentação de 300 mil veículos por ano. Os dois terminais deverão demandar R$ 167 milhões em investimentos.