Notícias

10/09/2013 - 00h43

PF faz operação contra fraudes no Ministério do Trabalho

Fonte: O Globo
 
 
A Polícia Federal prendeu nesta segunda-feira 22 pessoas em 11 estados e no Distrito Federal durante a Operação Esopo contra desvios de verbas no Ministério do Trabalho. Entre os que foram detidos, estão o servidor do ministério, Geraldo Riesenbeck; e Antonio Fernando Decnop Martins, ex-CGU e atualmente lotado na Funai. Anderson Brito Pereira, assessor do ministro Manoel Dias, também com mandado de prisão preventiva, não foi encontrado no ministério.
 
O secretário-executivo Paulo Roberto Pinto, o segundo homem na hierarquia da instituição, foi conduzido coercitivamente para prestar depoimento na Superintendência da Polícia Federal em Brasília. Depois de interrogado, o secretário seguiu para o ministério. Segundo a assessoria da pasta, Paulo Pinto trabalhou normalmente após o depoimento.
 
O prédio do Ministério do Trabalho, em Brasília, foi alvo de busca e apreensão de documentos. Em BH, o Instituto de Desenvolvimento do Norte de Minas Gerais (Idene), na Cidade Administrativa, sede do Governo de Minas, e a sede da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), também foram alvos de mandado de busca e apreensão autorizados pela Justiça.
 
De acordo com as investigações, a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) Instituto Mundial do Desenvolvimento e da Cidadania (IMDC), uma entidade com sede em BH, realiza convênios de fachada com o Ministério do Trabalho em 11 estados - Espírito Santo, Minas, Mato Grosso, Rio, Pernambuco, São Paulo, Ceará, Amapa, Paraná, Rondônia, Paraíba - e no Distrito Federal.
 
Nos últimos cinco anos, segundo a PF, cerca de R$ 400 milhões saíram do ministério e foram parar nos cofres do IMDC. A PF ainda não sabe ao certo o valor desviado, mas somente em alguns contratos analisados foi descoberto um rombo de R$ 55 milhões no montante de R$ 79 milhões repassados pelo ministério.
 
O jovem empresário mineiro Deivson Oliveira Vidal, presidente do IMDC, é apontado como o líder da organização criminosa e principal operador financeiro do esquema de desvios. Em sua residência, uma mansão localizada no condomínio Alfa Vile Lagoa dos Ingleses, na região de Nova Lima, região metropolitana de BH, foram apreendidos R$ 80 mil em dinheiro, jóias, carros importados e até um helicóptero. O presidente da comissão de licitações da Fiemg, Nelson de Souza Dabés Filho, e o ex-diretor do Idene, Walter Antonio Adão, também foram presos.
 
Condenada pelo mensalão fornecia notas forjadas
 
A ex-braço direito do operador Marcos Valério, Simone Reis Lobo de Vasconcelos, que tinha uma empresa de fachada que fornecia notas forjadas de empenho para a entidade, foi conduzida coercitivamente para prestar depoimento. Simone tinha uma empresa de aluguel de carros e, apesar de ter apenas um veículo registrado, ela forneceu notas fiscais para justificar a prestação de serviço de R$ 400 mil para o evento conhecido como Minas Tren Preview. O IMDC executava programa do Pro-Jovem, entre outros.
 
O lobista Marcos Vinícius da Silva, ex-assessor do deputado federal Ademir Camilo (PSD-MG), teve a prisão decretada, mas está foragido. Outro lobista, Rubens Costa Leite França, teve a prisão decretada no Rio de Janeiro. O ex-deputado federal mineiro Osmânio Pereira de Oliveira, que já teve o nome ligado a máfia dos sanguessugas, foi preso no Bairro Funcionários, região Centro Sul de BH. Vários ex-prefeitos da região do Norte de Minas tiveram a prisão decretada. Além da PF, a operação Esopo conta com Receita Federal e Controladoria Geral da União (CGU).
 
Sete ex-prefeitos de cidades do interior de Minas Gerais tiveram a prisão preventiva decretada: Aécio Silva Jardim (PDT), de Araçuaí; Antônio Cordeiro de Faria (PSDC), de Coração de Jesus; Denerval Germano da Cruz (PSDB), de Taiobeiras; Fábio Luiz Fernandes Cordeiro (PTB), conhecido como Fábio Madeiras, de São João da Ponte; Fausto Mesquita Ximenes (PSDB), de Três Corações; Padre José Antonio da Rocha Lima (PT), de São Francisco; e Maurílio Neres de Andrade Arruda (PTC), de Januária. O segundo dessa lista é conhecido como Toninho Tornozeleira, pois, em 2012, ele foi o primeiro gestor público do Brasil a ser monitorado por uma tornozeleira por 24 horas, já que era suspeito de corrupção. A Polícia Federal conseguiu que a Justiça aceitasse a instalação de uma tornozeleira eletrônica em Toninho.
 
Imprimir Indique Comente

« Voltar

Galeria de
Imagens

Ver todas