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24/04/2018 - 05h07
PGR cobra inclusão de material encontrado nas casas de Loures e Lima em inquérito dos portos
Fonte: Blog da Andréia Sadi / G1


A procuradora-geral da República, Raquel Dodge, cobrou em ofício ao Supremo Tribunal Federal (STF) que informações coletadas pela Polícia Federal (PF) sejam incluídas no inquérito dos portos, que investiga o presidente Michel Temer.
Os dados em questão foram encontrados em 2017 após busca e apreensão nas casas de Rodrigo Rocha Loures, ex-deputado e ex-assessor de Temer; do coronel aposentado João Batista Lima Filho, amigo de Temer; nas empresas Argeplan e Rodrimar e na sede do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade)
Essas informações já estão em outro inquérito, o que investiga casos de corrupção a partir das delações de executivos do Grupo J&F. O pedido de Dodge é para que os dados sejam incorporados também ao inquérito dos portos. Temer é investigado nos dois casos.
O inquérito dos portos apura se houve pagamento de propina em troca da edição de um decreto pelo presidente Temer, em 2017, para favorecer empresas do setor portuário. Uma dessas empresas seria a Rodrimar, alvo de busca e apreensão pela PF.
O processo que já contém as provas da PF trata das delações da J&F. As colaborações premiadas indicaram que Temer seria o beneficiário de R$ 500 mil entregues pelo grupo. Quem recebeu este dinheiro, em abril do ano passado, foi o ex-assessor de Temer, Rodrigo Rocha Loures.
No ano passado, Rocha Loures foi filmado saindo de um restaurante em São Paulo, após ter recebido do executivo das J&F Ricardo Saud uma mala com os R$ 500 mil. Rocha Loures foi preso em razão do episódio.
O presidente Temer nega que seria o destinatário final do dinheiro. Parte das provas desta investigação foi remetida ao inquérito dos Portos. A outra parte ainda precisa ser enviada.
Após o primeiro compartilhamento das diligências da PF com o inquérito dos Portos, novos materiais surgiram e foram enviados apenas para o inquérito que investiga atos de corrupção citados nas delações premiadas da JBS (que integra o Grupo J&F),
Dodge solicita, por meio de ofício, o encaminhamento do restante dos dados para o inquérito dos Portos. Os documentos são provenientes da Operação Patmos da PF.
“Ademais, como já mencionado acima, alguns Relatórios de Análise de Material Apreendido, produzidos a partir das diligências levadas a cabo nesta ação cautelar, encontram-se juntados diretamente nos autos do Inquérito n° 4.483, conforme indicado no Oficio à fl. 484. Ocorre que tais relatórios também fazem parte do compartilhamento requerido pela PGR nos autos do Inquérito n04.621, pois consubstanciam o resultado das diligências de busca e apreensão”, disse a PGR no pedido.
Ex-coronel da Polícia Militar, Lima é apontado pela Procuradoria Geral da República (PGR), com base na delação da JBS, como um dos intermediários de propina que supostamente seria paga ao presidente no caso do decreto de portos. Lima é dono da empresa de engenharia e arquitetura Argeplan.
Ele foi preso no fim de março em São Paulo pela Operação Skala da PF. Lima e o presidente Michel Temer são amigos há décadas, e mantêm relações próximas até hoje. Um relatório de busca e apreensão da Operação Patmos, da Polícia Federal, diz que Lima é um homem com acesso direto ao presidente Michel Temer.
A PGR explicou que dez mandados de busca e apreensão foram expedidos para os endereços e alguns dos itens recolhidos ainda não foram enviados pela Polícia Federal para análise da Procuradoria-Geral da República.
"Por outro lado, verificou-se que a autoridade policial não encaminhou alguns itens apreendidos, sendo necessário ultimar a análise de tais bens e documentos, ante o lapso temporal já decorrido desde a deflagração da Operação Patmos", afirmou Dodge no ofício.
O ofício a que o blog teve acesso foi assinado em 9 de abril por Dodge e, posteriormente, encaminhado para o ministro Edson Fachin, do STF.
Dodge pede a inclusão no inquérito dos portos dos seguintes materiais colhidos pela PF:
• Dois celulares e dois cartões de memória de Rocha Loures apreendidos em São Paulo;
• pen drives de Rocha Loures apreendidos em endereço de Brasília;
• celular do Coronel Lima apreendido em São Paulo.
"Ante o exposto, a Procuradora Geral da República requer: a conclusão pela autoridade policial das análises dos bens apreendidos que ainda não foram juntados aos autos", conclui a PGR.