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23/07/2013 - 07h09

Pode sobrar espaço no porto da MMX

Fonte: Valor Econômico
 
 
Uma mudança de cenário deverá criar excesso de capacidade, a partir de 2015, no corredor de exportação de minério de ferro formado pela ferrovia MRS Logística e pelo Porto Sudeste, da MMX, em Itaguaí (RJ). Até pouco tempo atrás se imaginava que poderia haver um gargalo nessa rota, com a demanda por transporte e embarque nos navios, superando a oferta. Mas a revisão nos planos de expansão de minas de minério de ferro no Quadrilátero Ferrífero, em Minas Gerais, mudou esse quadro.
 
Várias empresas com projetos na região não devem realizar programas de aumento da produção de minério de ferro conforme os planos originais por problemas financeiros e de licenciamento ambiental. Também pesa na decisão de investimento a existência de um ambiente global incerto, que tem efeito sobre a demanda e preços das commodities.
 
Esse cenário, diferente do que foi imaginado há pouco anos, pode influenciar as negociações envolvendo a venda do porto Sudeste, principal ativo da MMX. A empresa de mineração de Eike Batista está à venda como resultado da crise no grupo controlador, a EBX, e a perspectiva é de que a transação possa ser concluída até o início de setembro.
 
A avaliação, com base na reestruturação, é que dificilmente a MMX levará avante a expansão de Serra Azul, pois teria de investir pesado nas instalações de extração e beneficiamento de minério tipo itabirito duro. Em abril, a MMX ainda previa elevar em quase cinco vezes a produção de Serra Azul, das 6 milhões de toneladas de 2012, para 29 milhões de toneladas até 2015. Fontes do setor acreditam que a MMX não produzirá mais minério além do que faz hoje. As reservas de material freável duram só até 2017.
 
Em nota, a MMX afirmou que na revisão do seu plano de negócios optou por desacelerar o projeto de expansão de Serra Azul. "Revisões técnicas, capex [investimento] e opções que maximizem o valor do negócio estão sendo analisados."
 
Na área portuária, a MMX tem expectativa de o porto Sudeste atinja plena capacidade em 2016. No mercado também há dúvidas se o terminal terá condições de atingir a capacidade de embarcar 50 milhões de toneladas por ano devido às áreas disponíveis para armazenamento das pilhas de minério de ferro no porto e das características do minério do Quadrilátero Ferrífero.
 
"Todas as simulações matemáticas confirmaram a capacidade de movimentação de 50 milhões de toneladas por ano" diz a MMX. Segundo a empresa, o projeto considerou as características do pellet-feed [minério superfino ] ao dimensionar os pátios de estocagem e os equipamentos de uso no porto. "Todas as simulações técnicas estão em linha com práticas de mercado e são constantemente auditadas por especialistas."
 
Executivos do setor avaliam que a entrada em operação do porto Sudeste, prevista para o fim deste ano, fará a oferta de capacidade logística no corredor entre Minas Gerais e Rio ser mais do que suficiente, a partir de 2015, para atender a demanda.
 
A MRS Logística, antiga malha Sudeste da ex-estatal RFFSA, investiu R$ 1,2 bilhão em sistemas de sinalização e material rodante para aumentar a capacidade em um trecho de sua malha, a chamada Ferrovia do Aço, por onde os trens transitam carregados com minério embarcado em Minas Gerais até chegar ao Rio. Mesmo com demanda menor, em função da revisão de projetos, a MRS conta com expansões de minas de ferro para ampliar seu transporte, segundo fontes próximas à empresa.
 
No ano passado, a MRS transportou 155 milhões de toneladas, sendo que do total movimentado quase 74% correspondeu à carga pesada (minério de ferro, carvão e coque). O comboio padrão da empresa pra minério de ferro é formado por 134 vagões que carregam 13 mil toneladas do produto. A MRS tem como sócios controladores a Vale e as siderúrgicas CSN, Usiminas e Gerdau.
 
No mercado, a aposta é que parte dessas siderúrgicas poderia se interessar na compra do porto Sudeste. A Usiminas produz cerca de 7 milhões de toneladas de minério e anunciou investimentos para chegar a 12 milhões de toneladas no início de 2014. A etapa seguinte seria acrescentar mais 17 milhões de toneladas. Mas, na avaliação de fontes do setor, essa etapa não deverá sair do papel tão cedo devido à situação financeira difícil da empresa. A empresa enfrenta preços baixos do aço, com baixa geração de caixa.
 
Executivos da área de mineração apontam ainda que a Arcelor Mittal deve avançar pouco além de 5 milhões de toneladas de minério de ferro de embarques da sua mina em Serra Azul. E as pequenas mineradoras da região teriam baixa capacidade de exportação. Somando todos os projetos, inclusive a expansão da Ferrous Resources, se chegaria a um número de cerca de 40 milhões de toneladas por ano de exportação, volume que poderá ser atendido por MRS e o Porto Sudeste.
 
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