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08/01/2016 - 03h43

Polícia apura suspeita de assédio sexual na Codesp

Fonte: A Tribuna On-line / Bruno Lima
 
Adolescente de 16 anos alega que foi agarrado no banheiro da Estatal por um técnico portuário. Caso teria ocorrido em dezembro

 
Um suposto caso de assédio sexual é apurado dentro da Companhia Docas do Estado de São Paulo (Codesp), administradora do Porto de Santos. O crime teria sido cometido no dia 9 de dezembro de 2015 por um técnico portuário de 41 anos contra um jovem aprendiz de 16. Segundo o apurado pela Reportagem, no início desta semana a Estatal abriu uma sindicância para apurar a veracidade dos fatos.
 
Este não seria o primeiro crime do gênero praticado dentro da empresa. Em agosto do ano passado, uma denúncia anônima foi registrada no Disque Direitos Humanos, da Secretaria dos Direitos Humanos, relatando que um outro adolescente era aliciado por um dos seus superiores em troca de roupas, aparelhos eletrônicos, uso de cartões de crédito e dinheiro. 
 
O assédio mais recente teria ocorrido após o jovem aprendiz ter se queixado de dores em um dos ombros e pedido ao técnico portuário para colocar uma bandagem analgésica na lesão.
 
De acordo com o relato do menor à polícia, o acusado, que tem superioridade hierárquica em relação ao adolescente, concordou e sugeriu que isso fosse feito no banheiro. Lá, o jovem recebeu a ajuda solicitada. Entretanto, o acusado teria aproveitado o momento e praticado o abuso. O menor detalhou que o crime foi encerrado no momento em que um outro funcionário da empresa tentou usar o banheiro e se deparou com a porta trancada. 
 
Se dizendo constrangido, o adolescente, que é órfão de pai e mãe, não comunicou nada a ninguém da Codesp e telefonou para a avó, uma faxineira de 57 anos, por quem é criado desde criança. Ao tomar conhecimento da situação, a faxineira, no mesmo dia do ato, foi a empresa e relatou o crime. Diante da queixa, representantes da Estatal compareceram à Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) de Santos para o registro da ocorrência junto com as partes envolvidas. 
 
“Sem reação”
 
Na DDM, a delegada Carla Raccioppi Urso ouviu as partes. Questionado, o técnico portuário negou as acusações e disse que apenas colocou a bandagem no ombro do menor. Perguntado, se o suposto abuso teria sido cometido mediante alguma ameaça ou violência, o adolescente negou. Alegou que não houve consenso e afirmou que não pediu para parar por medo de que o autor o demitisse. 
 
O advogado do jovem aprendiz, Jorge Calazans, enxerga uma série de falhas na condução do caso. “Vejo erros por parte da Polícia Civil e da Codesp. Está claro que não se trata de assédio sexual, mas sim de estupro. O crime é de ação penal pública incondicionada. Mas, por conta do registro equivocado, o Ministério Público não foi acionado, o adolescente não foi encaminhado à Vara da Infância e Juventude e o Conselho Tutelar não foi comunicado. Fora isso, a Codesp sequer se deu ao trabalho de preservar o garoto, que voltou ao ambiente de trabalho com o agressor”. 
 
Procurada, a delegada Carla explicou que estupros se configuram diante de intimidação física ou verbal. E isso, de acordo com a vítima, não ocorreu. 
 
A Codesp, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que após a denúncia do suposto assédio, na mesma manhã do ocorrido, encaminhou a situação à autoridade policial competente e iniciou os procedimentos internos a esta situação. A Estatal não respondeu se o menor segue sob coordenação do acusado e também não se manifestou sobre o caso ocorrido em agosto de 2015. 
 
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