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17/07/2013 - 06h47
População desempregada nos países da OCDE cresceu 50% desde o início da crise
Fonte: O Globo / RJ

A preocupação é crescente em muitos países que compõem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) por conta da taxa de desemprego que ainda persiste em patamar elevado em determinadas nações. Em média, a taxa de desemprego dos 34 países do bloco ficou em 8% em abril de 2013, 0,5 ponto percentual abaixo do seu ápice, registrado em outubro de 2009, mas 2,4 ponto percentual acima do nível pré-crise, em dezembro de 2007. "Mas há grandes variações entre os países", diz o documento. "Até 5% da população da Áustria, Japão, Coreia do Sul, Noruega e Suíça estão desocupadas, mas excede 25% na Grécia e na Espanha".

A preocupação é crescente em muitos países que compõem a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) por conta da taxa de desemprego que ainda persiste em patamar elevado em determinadas nações. Em média, a taxa de desemprego dos 34 países do bloco ficou em 8% em abril de 2013, 0,5 ponto percentual abaixo do seu ápice, registrado em outubro de 2009, mas 2,4 ponto percentual acima do nível pré-crise, em dezembro de 2007. "Mas há grandes variações entre os países", diz o documento. "Até 5% da população da Áustria, Japão, Coreia do Sul, Noruega e Suíça estão desocupadas, mas excede 25% na Grécia e na Espanha".
Em relatório divulgado nesta terça-feira, a organização aponta que, em abril, havia 48 milhões de desempregados nos 34 países que compõem o bloco, 16 milhões acima do verificado antes do colapso do Lehman Brothers, uma alta de 50%. De acordo com as projeções mais recentes, a taxa de desemprego deverá manter-se relativamente estável até o final de 2014.
"A evolução do emprego entre os países-membros do grupo apresenta comportamentos divergentes. Mais de cinco anos se passaram desde o início da crise financeira e econômica mundial e o desemprego ainda permanece alto. Uma recuperação desigual e frágil não gerou empregos suficientes", aponta o relatório.
Após Grécia e Espanha, as maiores amplitudes na taxa de desemprego são observadas na Irlanda, Itália, Eslovênia e Portugal. Em contraste, Chile, Alemanha, Israel e Turquia contam com o indicador abaixo do patamar verificado durante a crise.
"Embora tenha havido alguns sinais encorajadores de uma recuperação com crescimento do emprego nos Estados Unidos, isso foi compensado pela recessão na zona do euro, com aumento em sua taxa de desemprego para um novo recorde de 12,1% em abril de 2013", reitera o texto.
Desemprego recorde para a zona do euro em 2014
Apesar de a taxa média do bloco estar em 8% em abril de 2013, e a situação parao conjunto dos 34 países seja relativamente otimista (o desemprego projetado é de 7,8% no quarto trimestre de 2014), a situação para os países que compõem a zona do euro deve deteriorar ainda mais. É o que diz o relatório da OCDE, que projeto já para o fim de 2014 um nível recorde de 12,3%, aumento de 0,1% sobre maio de 2013. Os mais afetados continuará a ser a população mais jovem.
Neste grupo, o número de desocupados passará 60% na Grécia, 55% na Espanha e vai bater em 40% em Portugal. O desemprego tende a piorar, de acordo com a organização, em dois dos países citados acima: a Grécia - cujas taxas passarão de 26,8% em maio de 2013 para 28,2% e a Espanha - onde os índices subirão de 26,9% para 27,8%.
Já na Alemanha, a maior economia da Europa, a taxa de desemprego deve diminuir: deve passar dos 5,3% em maio para 4,7% ao final de 2014. A previsão da OCDE é de que na França o desemprego chegará a 11,9% (em maio estava em 10,9%) e na Itália suba 0,4 ponto percentual, para 12,6%.
Do outro lado do Atlântico, a situação tende a melhorar para os americanos. A taxa de desemprego nos Estados Unidos terá uma que de 7,6% em maio para 6,7% ao final de 2014.
- Mas as cicatrizes da crise financeira global que explodiu em 2007 estão longe de desaparecer - afirmou o secretário-geral da OCDE, o mexicano Miguel Angel Gurría.
Turquia e Brasil têm as regras mais rígidas para contratações temporárias
Um efeito doloroso da crise financeira e econômica nos países ricos foi o relaxamento da legislação trabalhista. Segundo a OCDE, ao longo da última década, e particularmente desde a crise, "os países da OCDE reduziram a rigidez da legislação de proteção aos trabalhadores (normas que regulam contratação e demissão)". No entanto, Turquia e Brasil contam com rígidas regras para contratações, principalmente de temporários, apesar de o cenário exigir parcimônia. A Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos são os locais que mais facilitam este tipo de contrato.
Na década de 1990, os contratos temporários foram amplamente desregulamentados, o que, segundo a OCDE, alimentou o surgimento de mercados de trabalho divididos entre trabalhadores com contratos de longo prazo e outros com contratos precários, de curto prazo.
O Brasil também fica nas primeiras posições em outro levantamento pouco nobre: é um dos países que oferece pouca proteção aos trabalhadores que são despedidos sem justa causa, em especial, aqueles com mais de 20 anos dentro da mesma organização.
"Compensações altas e previsíveis no caso de demissão sem justa causa - além dos valores devidos por aviso prévio e outras indenizações - são eficazes na proteção dos trabalhadores contra comportamentos arbitrários", alerta a organização.
Em países como a Suécia, os trabalhadores têm direito a 32 meses de salário se forem despedidos nestas condições, na Itália são 21 meses e até a China conta com remuneração de 20 meses caso o profissional seja demitido após 20 anos na mesma empresa, mas reitera que uma remuneração muito baixa (além de indenização e/ou aviso prévio) normalmente é oferecida na Estônia e Polônia, bem como no Brasil e na Arábia Saudita.